Elon Musk apresentou uma versão redesenhada do veículo Roadster, da Tesla, equipado com propulsores semelhantes aos de foguetes que permitem ao esportivo elétrico saltar e girar no ar. A produção deve começar em 2028, mais de dez anos depois de a montadora exibir pela primeira vez a nova geração do modelo.
Desenvolvido em parceria com a SpaceX, empresa de foguetes também comandada por Musk, o carro branco de dois lugares subiu de cabeça para baixo por uma rampa com a ajuda de um sistema de sucção, deu uma volta no ar e pousou usando os propulsores embutidos.
Na sequência, o veículo recorreu ao mesmo sistema para pular por cima de um caminhão e de outros automóveis, girando no ar durante a manobra.
Fusão no radar
Parte dos observadores viu a parceria como uma tentativa de Musk de despertar interesse por uma fusão entre as duas grandes empresas que controla, possibilidade que ele já levantou ao comentar as semelhanças entre elas.
“Foi uma demonstração de engenharia sem valor comercial além de constranger as montadoras tradicionais”, escreveu no X Gene Munster, sócio-diretor da Deepwater Asset Management, que investe na Tesla. “O evento do Roadster é mais um exemplo de por que Elon quer tanto unir (a Tesla) e (a SpaceX)”, acrescentou.
O próprio Musk já minimizou o peso do carro nas contas da empresa. Em 2023, chamou o projeto de “uma ninharia” que não “faria diferença significativa do ponto de vista financeiro”.
O valor simbólico, porém, segue alto. “A Tesla não tem hoje um carro-chefe, ou seja, um veículo de luxo e alto desempenho criado para mostrar o melhor da engenharia e da tecnologia de uma montadora. O Roadster será o novo carro-chefe da Tesla”, afirmou o analista Seth Goldstein, da Morningstar, em relatório no mês passado.
Entre quem assistiu ao lançamento, o clima foi de euforia. “Foi a demonstração de produto mais impressionante que já vi”, publicou no X Sawyer Merritt, fã e investidor da Tesla. “Acabei de ver ao vivo e continuo me perguntando como é possível que não fosse IA”.
O que se sabe sobre o novo Roadster
A demonstração aconteceu na quinta-feira (15) em uma instalação de testes da SpaceX em McGregor, no Texas, e reuniu os elementos típicos dos lançamentos de Musk, como música dramática, fumaça, ruídos mecânicos e contagem regressiva.
“Este é o ápice do trabalho incrível dos engenheiros da Tesla e da SpaceX, que colaboraram de perto para criar algo que nunca foi visto em nenhum filme”, disse o empresário, que usava uma fivela prateada em estilo faroeste com o logotipo da Tesla, diante de uma plateia animada de fãs e investidores.
De acordo com Lars Moravy, chefe de engenharia de veículos da Tesla, o Roadster acelera de zero a 97 km/h em menos de um segundo e passa dos 370 km/h de velocidade máxima.
Empolgado, Musk foi além. “Sem dúvida, muito mais rápido ainda”, afirmou. “Acho que dá para chegar perto da metade da velocidade do som”.
O modelo também percorre mais de 480 quilômetros com uma única carga. O número fica abaixo da metade do que Musk havia prometido em 2017, quando a Tesla mostrou o primeiro protótipo da segunda geração do Roadster e anunciou entregas a partir de 2020.
Musk e outros executivos não informaram o preço do carro durante o evento. Há quase uma década, porém, a Tesla chegou a cogitar um valor inicial de US$ 200 mil.
Depois da apresentação, a página de reservas do Roadster mostrava uma versão “Performance”, com depósito de US$ 50 mil, e outra chamada “Thrust”, com “propulsores de aceleração”, que exigia depósito de US$ 250 mil. Uma terceira opção, “Rocket”, oferecida apenas por convite, segundo a Tesla, aparece como um modelo de um lugar com “sistema de voo completo”.
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Mudança de rumo
O lançamento dá à Tesla um produto de vitrine depois de anos de prazos descumpridos para o Roadster. A apresentação, no entanto, ocorre enquanto a empresa concentra esforços em direção autônoma baseada em inteligência artificial e em robótica, e a poucos dias da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, considerados mais relevantes pelos investidores, segundo analistas.
O Roadster original, vendido entre 2008 e 2012, foi o primeiro carro elétrico da Tesla e usava o chassi do Lotus Elise. O modelo ajudou a mudar a percepção do público sobre os veículos elétricos. Desde então, a marca ficou conhecida pelos utilitários esportivos Model Y e Model X e pelos sedãs Model S e Model 3.
*Com informações da Reuters
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