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Falha em linguagem usada por quase 70% dos sites gera mobilização mundial

No Reino Unido, 32 serviços públicos ficaram indisponíveis por precaução, enquanto atualizações de segurança começaram a ser aplicadas

Alerta de vírus Triângulo vermelho Sistema hackeado sinal de erro Malware atenção símbolo de perigo Alerta de erro de sistema mostrando na tela exibição de computador portátil na mesa com mão de empresário tom vermelho
Vulnerabilidades identificadas no PHP levaram governos e empresas a retirar sites do ar por precaução (Créditos: Reprodução/Magnific)

Governos e empresas de diferentes partes do mundo decidiram retirar seus sites do ar nesta quinta-feira (22) para evitar possíveis ataques virtuais. A medida foi tomada depois que ferramentas de inteligência artificial identificaram falhas no PHP, uma linguagem de programação utilizada em aproximadamente 70% dos sites da internet.

Depois dos primeiros alertas, muitas entidades decidiram manter seus sites fora do ar .

No Reino Unido, uma alta funcionária da área de Tecnologia informou que 32 serviços governamentais estavam fora do ar, principalmente devido a “medidas de precaução”, enquanto outros sites que haviam sido desativados voltaram a funcionar nesta quinta-feira.

As falhas, que receberam o nome de PHP2Shell, poderiam permitir que criminosos invadissem servidores, acessassem informações e executassem comandos maliciosos, mesmo sem conhecer senhas ou ter autorização para acessar os sistemas.

O que é PHP e para que serve?

Criado no início da década de 1990, o PHP é uma linguagem de programação que faz funcionar aproximadamente 70% das páginas da web do mundo. Ao contrário de um site estático, que sempre envia a mesma página para todos os usuários, um site em PHP é considerado “dinâmico”.

Isso significa que ele gera seu conteúdo consultando um banco de dados, verificando se o usuário iniciou sessão, exibindo informações personalizadas ou atualizando o conteúdo em tempo real.

É “a espinha dorsal da web”, segundo a empresa de cibersegurança Wiz Research, que afirma ter usado IA para detectar vulnerabilidades ocultas há mais de dez anos no PHP.

O PHP é utilizado em plataformas de criação de sites, como WordPress, Drupal ou PrestaShop.

Como a IA detectou as falhas?

As vulnerabilidades foram descobertas em agosto de 2026, quando pesquisadores das empresas Calif, Wiz e OpenAI utilizaram ferramentas de inteligência artificial, incluindo modelos da OpenAI e do Google, para analisar o código do PHP e identificar problemas que poderiam permitir ataques a servidores.

Segundo a PHP Foundation, organização que apoia o desenvolvimento da linguagem, um dos problemas já apresentava indícios desde 2024, mas ainda não havia sido demonstrado como poderia ser utilizado para invadir sistemas. A inteligência artificial ajudou a identificar maneiras de explorar essas falhas antigas, que foram comunicadas aos desenvolvedores para a preparação das correções.

Quais foram as falhas encontradas no PHP?

Os pesquisadores identificaram duas falhas graves na maneira como o PHP administra a memória dos servidores, utilizada para armazenar temporariamente as informações necessárias ao funcionamento dos sites.

A primeira falha ocorria quando o PHP atingia seu limite de memória, podendo interromper uma tarefa e depois tentar utilizar informações que não haviam sido organizadas corretamente. A segunda permitia que o sistema continuasse utilizando referências a espaços de memória que já deveriam ter sido liberados, provocando erros que poderiam ser explorados por criminosos.

Na prática, essas vulnerabilidades poderiam permitir que invasores executassem comandos maliciosos, alterassem páginas ou acessassem informações dos servidores, dependendo das condições do sistema.

Por que os sites só saíram do ar em outubro?

Embora as falhas tenham sido identificadas em agosto, as descobertas foram mantidas em sigilo para que os desenvolvedores preparassem as correções antes que criminosos soubessem como explorá-las. Inicialmente, as atualizações seriam lançadas em 22 de outubro.

Entretanto, em 20 de outubro, informações sobre os problemas começaram a circular na internet. No mesmo dia, a empresa Calif publicou acidentalmente um vídeo demonstrando como explorar uma das vulnerabilidades. A divulgação antecipada levou os desenvolvedores a adiantar as correções para o dia 21.

Os desenvolvedores do PHP lançaram, em 21 de outubro, atualizações que corrigem as duas vulnerabilidades.

Entretanto, isso não significa que todos os sites estejam protegidos, pois os responsáveis pelos servidores ainda precisam instalar as atualizações ou correções equivalentes. Enquanto isso não acontecer, os sistemas vulneráveis continuam expostos a possíveis ataques.

(Com informações da AFP)

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