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Dez anos após Bruno ser condenado, crimes contra mulheres persistem no futebol

Décimo aniversário da condenação de Bruno evidencia continuidade da violência de gênero no futebol, com denúncias envolvendo atletas e retornos após punição

Em 8 de março de 2013, Bruno Fernandes de Souza, foi condenado em júri popular a 22 anos e três meses de prisão por ter sequestrado, matado e ocultado o corpo da ex-namorada e mãe de seu filho, Eliza Samudio
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O goleiro Bruno Fernandes de Souza foi condenado há dez anos por sequestrar, matar e ocultar o corpo de Eliza Samudio. O caso, que ficou marcado na história do futebol, permanece como referência da violência contra a mulher no esporte, mesmo com a continuidade de contratações de jogadores envolvidos em crimes.

Em 2013, Bruno recebeu 22 anos e três meses de prisão em júri popular. Menos de um ano depois, assinou com o Montes Claros, no interior de Minas Gerais. Outros clubes chegaram a contratá-lo após habeas corpus, sem estar na primeira divisão, mas com salários expressivos e boa acolhida.

A discussão atual envolve o que aprendemos com esse caso. Advogada Isabela Del Monde critica o desprezo à dignidade feminina e aponta impunidade social associada ao retorno de atletas condenados ao auge do futebol. Milly Lacombe ressalta o machismo estrutural do ambiente esportivo.

Debate sobre retorno de atletas

Milly Lacombe reforça que o futebol é um microcosmo de heteronormatividade agressiva, com impactos ainda mais profundos na violência contra mulheres. Ela observa que a volta de Bruno aos holofotes serve de alerta sobre a forma como a sociedade encara casos de violência de gênero.

Entre os que defendem a reinserção, há quem questione o direito de qualquer condenado retornar ao trabalho, desde que haja padrões éticos. A discussão envolve ainda como o futebol deve atuar diante de casos de violência envolvendo estrelas da modalidade.

Casos recentes aumentam o escrutínio. O atacante Pedrinho, do São Paulo, teve a namorada Amanda Nunes registrando boletim de ocorrência por violência doméstica. O clube afirmou acompanhar as investigações e não tolerar agressões contra mulheres.

O caso de Daniel Alves é citado como possível divisor de águas. A defenderes dizem que o protocolo No Callen, aplicado em Barcelona, pode influenciar investigações e condutas futuras no Brasil, principalmente em relação a provas e proteção de vítimas.

Medidas e mudanças no setor

A Argentina teve pioneirismo ao incluir cláusula de combate à violência de gênero em contratos, com o Vélez Sarsfield instaurando um Departamento de Violência de Gênero. A cláusula permite rescisão contratual em casos de violência ou discriminação, servindo como referência para práticas institucionais.

Especialistas ressaltam que avanços legais, como maior debate público e políticas de prevenção, não substituem mudanças no comportamento dentro do futebol. A remodelação cultural é vista como essencial para reduzir a violência contra mulheres no esporte.

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