A cada quatro pessoas que relatam ter sido roubadas no Brasil, uma foi ameaçada com arma de fogo. A constatação faz parte da 2ª edição da pesquisa sobre vitimização e percepção de violência, encomendada ao Datafolha pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento analisa o período entre julho de 2024 e junho deste ano, com cerca de 2 mil entrevistas a pessoas de 16 anos ou mais, em 130 municípios. Manaus sediou a apresentação do estudo nesta quinta-feira.
Segundo a pesquisa, os grandes centros urbanos concentram boa parte dessas ocorrências, com destaque para o comércio de celulares. A cidade de São Paulo é apontada como o principal polo desse tipo de crime, com alerta para latrocínio, roubo seguido de morte, que ficou em evidência em 2023 e 2024.
Os dados indicam ainda que, hoje, uma em cada cinco ocorrências de roubo no Brasil ocorre na capital paulista, que representa menos de 6% da população nacional. A explicação dos pesquisadores envolve a existência de redes criminosas complexas ligadas à circulação de bens de alto valor nos centros urbanos.
Contexto e desdobramentos
De acordo com o estudo, o domínio desses crimes está relacionado a estruturas urbanas e à distribuição de mercadorias de alto valor, como celulares, usados como itens de troca ou pagamento no crime organizado. O relatório cita a necessidade de estratégias integradas entre segurança pública e políticas de prevenção.
Entre os tópicos observados, o estudo traz referências a episódios traumáticos que ganharam destaque recentemente na imprensa paulista. Em dezembro de 2024, um delegado de classe especial foi morto durante uma tentativa de assalto na Vila Romana, na zona oeste de São Paulo. Em fevereiro, um ciclista foi morto a tiros no Itaim Bic, durante uma abordagem semelhante. Esses casos evidenciam o risco elevado em áreas com circulação intensa de pessoas e veículos.
O levantamento aponta que a violência está concentrada em áreas com maior densidade populacional e fluxo de pessoas, exigindo respostas específicas para evitar a escalada de crimes contra cidadãos comuns. A pesquisa recomenda fortalecer a fiscalização, ampliar a presença policial em pontos críticos e investir em tecnologia de monitoramento.
A participação do pesquisador Humberto Lima é citada para explicar o fenômeno: há uma rede de distribuição que sustenta os crimes em grandes cidades, o que demanda ações coordenadas entre as esferas de segurança pública, justiça e políticas sociais. O estudo reforça a necessidade de dados contínuos para orientar medidas preventivas.
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