A Terra Indígena Mangueirinhas, no Paraná, considerada o maior remanescente de Florestas de Araucárias do mundo, enfrenta uma grave crise ambiental. Com menos de 1% da cobertura original preservada, a região sofre com desmatamento e grilagens. Entre 2019 e 2023, o MapBiomas registrou 26 alertas de devastação, correspondendo a uma área equivalente a quase um Parque do Ibirapuera.
Na quinta-feira, 21, a Polícia Federal prendeu os caciques José Carlos Gabriel e Cristian Ricardo Carneiro, da etnia Kaingang, sob a suspeita de integrarem uma organização criminosa dedicada ao desmatamento. Essa é a primeira vez que indígenas são implicados em atividades ilegais de extração e comercialização de araucária na região. As investigações apontam que o grupo, formado por indígenas e não-indígenas, opera de maneira estruturada, causando danos irreparáveis ao ecossistema.
Desmatamento e Implicações Legais
A área é classificada como de preservação permanente, mas não é a primeira ocorrência de desmatamento envolvendo povos originários. Entre 2016 e 2019, lideranças locais aprovaram a derrubada de 11,5 hectares para fins agrícolas, resultando em uma ação civil pública do Ministério Público, que solicitou reparação de 879 mil reais e um plano de restauração da área afetada.
Atualmente, a Polícia Federal identificou 255 pontos de desmatamento na Terra Indígena Mangueirinhas. A operação que levou às prisões inclui 17 mandados judiciais, sendo cinco para prisões preventivas e os demais para busca e apreensão, além de quebra de sigilo bancário. A situação revela um cenário alarmante de exploração e degradação ambiental, que compromete a última grande reserva de araucárias do planeta.
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