A Maré continua enfrentando alagamentos, com despejo irregular de esgoto nas redes pluviais, acúmulo de lixo e drenagem defasada. A Águas do Rio anunciou R$ 120 milhões de intervenções para ampliar a rede de esgoto e reduzir os problemas no complexo. A solução depende de ações integradas com a prefeitura, segundo a Redes da Maré.
Moradora há quase seis décadas, Cláudia da Costa Tavares da Silva relata alagamentos com água de esgoto entrando em casa durante chuvas. Em dias difíceis, precisa proteger a mãe de 86 anos com Alzheimer e reacomodar móveis enquanto a água sobe pelo banheiro. O medo envolve riscos à saúde e pragas.
No complexo, uma rede de esgoto antiga não atende a todos os imóveis. Muitas casas não estão conectadas, e o esgoto vaza para galerias pluviais, que entupidas agravam as enchentes. Além disso, canaletas quebradas e lixo dificultam o escoamento.
Investimentos anunciados
A concessionária informou, em março, a doctrine de ampliação da rede e de ligações de imóveis à rede de água e esgoto, com 18 quilômetros de tubulação nova. A meta é substituir canos ligados às galerias, especialmente em becos e vielas, encerrando esgotos a céu aberto.
Detalhes da intervenção
O projeto prevê a passagem de um duto de 1,5 metro de diâmetro sob a principal via da Maré, levando o esgoto recolhido até a Estação de Tratamento Alegria. As obras devem durar dois anos e contam com recursos públicos do BNDES, além de apoio do BID e da Proparco.
Contexto e desdobramentos
A atuação na Maré visa despoluir a Baía de Guanabara, mas projetos de saneamento dependem de atuação conjunta entre governos e iniciativas sociais. Em meio às obras, moradores aguardam melhorias reais na drenagem, no saneamento e na gestão de resíduos.
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