A pesquisadora Joanna Fiduccia apresenta no livro Figures of Crisis: Alberto Giacometti and the Myths of Nationalism uma leitura que reposiciona o período 1935 a 1945 na produção de Giacometti. O trabalho não trata esse intervalo como pausa, mas como um centro transformador da obra do artista.
A autora propõe que o retorno de Giacometti à escultura de retratos a partir de modelos vivos, nos anos 1930, é decisivo para entender a relação entre forma, representação e crise. Ela analisa bustos, figuras em miniatura e objetos de estudo que desafiam categorias entre surrealismo e existencialismo.
O livro questiona raciocínios consolidados sobre modernismo, nacionalismo e trauma. Fiduccia integra estudos de Giacometti com referências a Rodin, Brancusi, Dalí e outros, para mostrar como o artista negociou técnicas, escala e materialidade diante de contextos históricos conturbados.
Além de obras em plaster heads e pequenas esculturas, a obra traz o design para a Exposição Nacional da Suíça de 1939, cuja realização foi descartada pelos colegas. O projeto, de baixa escala, levanta debates sobre monumentalidade e identidade nacional.
A publicação enfatiza ainda o envolvimento de Giacometti com a paisagem social ao redor das peças. A pesquisadora aponta que o artista buscou ativar o espaço vazio ao redor dos sujeitos, influenciando leituras de artistas posteriores, como Judd e Serra.
O lançamento coincide com uma agenda institucional de Giacometti no Reino Unido e nos EUA, com Barbican Center promovendo exposições que dialogam com artistas contemporâneos. Em Boston, o MFA apresenta um diálogo imaginário entre Giacometti e Rothko.
No Brasil, a crítica destaca a relevância do estudo para entender a relação entre crise, política e criação na modernidade. O museu dedicado a Giacometti, previsto para 2028 em Paris, deverá consolidar a maior coleção da obra em um único espaço, com mais de 10 mil itens.
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