O enólogo-chef Maxime Valéry, do restaurante Paul Bocuse, encontrou em 2023 18 garrafas não catalogadas de Ruinart, todas do ano 1926. O achado coincidiu com a lembrança do aniversário de nascimento do “cuisinier du siècle”, falecido em 2018. A descoberta reacendeu o interesse pela coleção histórica da casa.
Imediatamente, Valéry informou a Ruinart, que aceitou incorporar as garrafas à sua oenothèque. O chef de cave Frédéric Panaïotis avaliou o estado dos vinhos e comprovou boa conservação, descrevendo sinais de fruta madura e cítricos ainda presentes. A ideia era organizar uma degustação em 2026, no centenário do vintage.
Nova organização da degustação
Após o falecimento de Panaïotis em 2025, a responsabilidade ficou com Caroline Fiot, que assumiu a direção da cave. Ela planejou um percurso histórico, com seis vinhos de Ruinart por século, deixando de fora apenas o 1936, por falta de estoque suficiente e pela ausência de safras em 1946.
O foco ficou na cuvée originalmente conhecida como Carte Anglaise, renomeada posteriormente para Ruinart R com o vintage de 1959. Fiot explicou que o blend mostra Chardonnay da Côte des Blancs e Pinot Noir, com participação crescente de Pinot Meunier a partir de 2016.
Entre vinhos que ainda conservam sua vitalidade, alguns demonstram sinais de fadiga em exemplares como o 1966. A degustação histórica também reuniu antigos chefs de cave, incluindo Maurice Hazart, criador do 1926. Quem desejar acompanhar o legado pode visitar a cave des millésimes no pavillon Nicolas Ruinart, em Reims, ou adquirir um exemplar na coleção œnothèque, que remonta aos anos 1970.
O 1926 permanece disponível apenas para apreciação na cave, preservado como parte da memória da casa. O público pode observar o acervo histórico ou viver a experiência por meio das peças da coleção, que transportam os interessados por um século de champagne Ruinart.
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