O Brasil Antenado amplia o acesso gratuito à TV digital ao traduzir tutoriais para línguas nativas, incluindo o Akwê, falado pelo povo Xakriabá. Em São João das Missões (MG), onde 79,84% da população é indígena, a iniciativa atua como ferramenta de revitalização cultural e inclusão digital. A ação envolve a Entidade Administradora da Faixa (EAF) com participação de lideranças locais.
A tradução de materiais informativos já chegou a outras línguas, como Munduruku, Ingarikó, Xavante, Macuxi, Iny Rybè e Guarani, segundo a EAF. O objetivo é reduzir barreiras de comunicação e ampliar o alcance das informações sobre o programa. O esforço busca transformar a tecnologia em meio de recuperação da língua e da identidade dos povos.
Alcance e resultados
Dados de outras regiões indicam maior adesão quando há tradução. Em Jacareacanga (PA), houve aumento de 150% no interesse pelo Brasil Antenado com conteúdos em Munduruku. Em Uiramutã (RR), a cidade com maior população indígena, houve crescimento de 124% com as versões em Macuxi e Ingarikó. A CEO da EAF destaca que a inclusão digital deve respeitar a identidade de cada povo.
Desafios e contexto
O cacique José dos Reis explica que, embora a retomada do Akwê seja importante, a maioria da comunidade ainda não domina a língua materna. O português foi imposto em períodos históricos, contribuindo para o apagamento linguístico. A alfabetização indígena varia conforme o idioma e o domínio do português no domicílio. O Brasil Antenado busca equilibrar o ensino de ambas as línguas desde a infância.
Brasil Antenado em Minas e visão institucional
A iniciativa, viabilizada pela Portaria nº 17.337, de abril de 2025, distribui kits de antenas parabólicas a famílias de baixa renda. Até 13 de junho, a fase atual mobiliza 108 cidades em oito estados, e a etapa recente abrange 56.500 famílias em 30 municípios do Norte de Minas. A proposta é tornar o conteúdo acessível sem desviar da identidade cultural dos povos.
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