Marina Abramović abriu em Berlim sua primeira mostra individual na cidade desde os anos 1990, intitulada Balkan Erotic Epic. The Exhibition, em cartaz no Gropius Bau até 23 de agosto. O conjunto reúne obras históricas e recentes, buscando explorar ritual, erotismo, morte e o corpo como campo político e espiritual. A curadoria articula passagem entre filmagem, instalação, escultura e ação ao vivo.
A entrevista com a co-curadora Agnes Gryczkowska, base da Londres, foi publicada pela ARTnews e discute as escolhas para a exposição. Gryczkowska, historiadora e escritora, destaca a ideia de Gesamtkunstwerk na montagem, com diálogos entre narrativas históricas e contemporâneas, e frisa o papel do corpo coletivo frente ao corpo individual.
Desafios da curadoria
Gryczkowska aponta que traduzir a immediates da performance para o espaço museal sem reduzir a experiência à documentação foi o principal desafio. A curadora enfatiza a preservação da intensidade, mantendo o contexto histórico dos Bálcãs, a biografia de Abramović e o conceito de erotismo.
Estrutura e referências
A mostra é dividida em três capítulos: O Corpo Político, Erotismo da Terra e Erotismo e Morte, buscando articular as ideias de ritual, fertilidade, luto e ancestralidade. O percurso reforça a ligação entre sexualidade, poder e transformação presentes na trajetória da artista.
Abordagem de temas sensíveis
A curadoria evita tratar práticas balcânicas como simples espetáculo, buscando manter o vínculo com história e realidade política da Iugoslávia. O humor presente na obra é destacado como recurso que impede a solenidade excessiva, conforme Gryczkowska.
Diálogo entre passado e presente
A curadora descreve como objetos históricos dialogam com a produção contemporânea, incluindo uma figurina neolítica de início do Norte da Macedônia para situar o tempo da construção apresentada. A escolha visa reativar sistemas simbólicos sem dissociá-los do vocabulário atual.
Trabalho conjunto com Abramović
Segundo Gryczkowska, Abramović assume visão clara, porém aberta a ideias. A artista combina firmeza com curiosidade, promovendo um intercâmbio criativo que molda a experiência expositiva ao ritmo de uma obra de grande escala.
Experiência do público e intensidade
A mostra é descrita como gráfica e desafiadora, com sugestões de desconforto que, segundo a curadora, são parte da experiência. A ideia é reconduzir o público a temas de morte, poder erótico, fertilidade e vulnerabilidade sem reduzir tudo a uma leitura única.
Significado de Berlim para a exposição
Abramović retorna a Berlim em um momento considerado significativo, dada a história da cidade em relação a divisões, subculturas e transformações. A curadoria vê a apresentação como uma reintrodução da artista sob nova perspectiva, não um retrospecto, mas um projeto de intensidade contínua.
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