As autoridades chinesas intensificam ações para reduzir a competição por notas entre alunos do ensino básico, buscando aliviar o peso sobre famílias e a ansiedade que influencia decisões de ter filhos. Em fevereiro, o Ministério da Educação enviou diretrizes locais com foco na saúde emocional e na redução do estresse estudantil.
As medidas seguem restrições anunciadas em dezembro para provas no ensino fundamental. Proibidos testes escritos nos dois primeiros anos, e apenas uma avaliação semestral para as séries seguintes. As notas não são classificadas nem tornadas públicas, acessíveis apenas a alunos e pais.
O governo também limitou provas unificadas entre escolas em uma região, salvo para a série mais avançada. Alguns estabelecimentos reduziram a duração das aulas para permitir prática repetida de exercícios, conforme a Televisão Central da China.
Em outubro, já tinham sido anunciadas 10 medidas para a saúde mental de jovens, incluindo prevenção de sobrecarga de tarefas e da competição que atrasa o sono. Intervalos entre aulas passaram de 10 para 15 minutos, com incentivo a mais tempo ao ar livre.
Dados de campo apontam impactos na visão dos estudantes: em Dalian, 95% das crianças de uma turma usam óculos, indicativo de pressão e tempo de tela. O governo argumenta que reduzir o estresse escolar é parte de uma estratégia maior para estabilizar a demografia.
Estudos divulgados por pesquisadores da Universidade Renmin entrevistaram mais de 8 mil pessoas entre 2023 e 2024. Entre os entrevistados, muitos citam a educação como fator central de custos de vida e de planejamento familiar.
Acompanhando o debate, a percepção de pais é de que o desempenho nos exames universitários continua a influenciar oportunidades futuras, o que alimenta a prioridade pela educação. A pressão que recai sobre as famílias é citada como fator de ansiedade.
Desde 2021, a China adotou uma política de dupla redução para tarefas de casa e reforço escolar. Também houve controle de preços e regulações sobre serviços de reforço, com o objetivo de reduzir custos para famílias e alunos.
A queda da taxa de natalidade é mencionada como motivação adicional para as medidas. Dados oficiais indicam que, após superar 10 milhões de nascimentos em 2021, o volume caiu para menos de 8 milhões em 2025.
Apesar das mudanças, a competição acadêmica permanece enraizada na sociedade, evidenciada pelo prestígio contínuo do gaokao. Especialistas ressaltam que não há soluções rápidas para esse desafio cultural.
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