Archie Rand, aos 77 anos, segue produzindo séries novas mesmo após décadas de atividade. A entrevista com o artista, realizada em seu estúdio em Brooklyn, revela como ele encara o acabamento de uma pintura e o que o impulsiona a continuar criando.
O destaque da medida atual é a mostra de pinturas recentes intitulada Heads, em cartaz na Jarvis Art. O conjunto reúne obras que dialogam com a narrativa visual característica de Rand, com composições que parecem trechos de histórias em andamento.
O estúdio de Rand fica em Clinton Hill, um espaço de 50 pés de largura por 100 pés de comprimento, com pé direito de 35 pés. O artista integrou aquecimento radiante por água para ampliar a área do local, que abriga prateleiras de CDs, livros, revistas, um piano e várias séries de telas.
Em paralelo aos trabalhos, Rand mantém uma rotina de ensino. Ele já ocupou o posto de presidente do departamento de artes visuais na Columbia e, hoje, é Professor Presidente de Arte no Brooklyn College. Seu método envolve começar com uma ou duas telas estruturadas em grade, para depois deixar a pintura seguir o rumo próprio.
A mostra em Jarvis Art é co-curada por Max Werner, filho de dealers influentes no mercado, e Lindsay Jarvis. Werner, que conheceu Rand ainda criança, afirma que o artista acompanha o tempo de forma singular, mudando de linguagem sem perder a essência de sua obra. Jarvis, por sua vez, destaca a linguagem visual única de Rand em uma era de trabalhos fortemente derivativos.
Entre as peças, destaca-se Duck (2025), na qual duas crianças navegam em um catamarã sob uma tripulação de cores vibrantes. Em outra obra, intitulada Duck, o mar aparece agitado e o humor do animal figura como elemento de contraponto a uma tensão dramática. A curadoria ressalta que Rand costuma apresentar as cenas no meio da ação, deixando ao espectador a tarefa de imaginar o desfecho.
Rand nasceu em Brooklyn, em 1949, e estudou no Art Students League e na Pratt Institute, com foco em cinegrafia. A prática de contar histórias por meio de imagens fixas o acompanhou desde jovem, quando já expunha em galerias comerciais aos 17 anos. A influência de Philip Guston, após a visita a Marlborough Gallery, o levou a repensar seu caminho artístico.
Ao longo da carreira, Rand manteve uma relação estreita com o texto e a memória. Ele relembra encontros com Guston e a troca de ideias que moldou sua visão sobre a pintura figurativa em uma época marcada por mudanças no abstracionismo. A experiência, segundo ele, ajudou a consolidar uma prática que não se enquadra facilmente em rótulos.
Além do eixo criativo, Rand discute a inspiração literária e musical que embala seu ateliê. O estúdio recebe Brahms e Dolphy entre os sons que acompanham o processo criativo, segundo relatos de quem trabalha com o artista. Rand expressa satisfação com a própria trajetória e afirma ter feito o que precisava, sem depender de reconhecimento pós-vida.
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