Aurélio Buarque de Holanda, criador do dicionário que leva seu nome, apontou em uma entrevista de 1977 três palavras que, para ele, são entre as mais belas do português. O lexicógrafo, professor e crítico literário já havia publicado em 1975 o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, conhecido como Dicionário Aurélio.
Na resposta, ele destacou a palavra libélula como uma das mais bonitas, descrevendo-a como alada e de poesia imensa. Segundo Aurélio, a sonoridade remete ao voo incerto do inseto, em meio a uma imagem que ele associa à realidade do que descreve.
O pesquisador também citou murucututu, nome popular de uma espécie de coruja, associando-o à musicalidade das sílabas e ao modo como o animal aparece na natureza. Ele ressaltou que a palavra é composta por cinco sílabas, todas terminando em u.
Por fim, Aurélio lembrou alvorada, associando-a a uma clarinada. A escolha reflete o apreço do criador pela harmonia entre som e imagem que as palavras podem carregar.
Significados das palavras citadas
Libélula é o nome de um inseto conhecido pelo voo veloz e pelas asas transparentes. A associação sonora, feita pelo autor, remete ao movimento de deslocamento do animal.
Murucututu, também grafado murucutu, refere-se a uma coruja amazônica. O termo aparece na linguagem popular e pode variar regionalmente, com distribuição que vai do sul do México ao Sudeste do Brasil.
Alvorada indica o início do dia, o amanhecer. O termo é utilizado para descrever a primeira luz e, segundo Aurélio, carrega musicalidade própria.
Contexto da entrevista
A referência às três palavras ocorreu em uma entrevista publicada com distribuição histórica, que expandiu o debate sobre a beleza da língua portuguesa. A discussão envolve a relação entre som, ritmo e imagem nas palavras.
O material consultado também cita fontes que referenciam o hábito de Aurélio de discutir a musicalidade das lexemas, destacando seu amor pelas palavras e pela língua.
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