O texto discute o conceito de tolerância na prática cotidiana e na história, destacando que tolerância não é aprovação nem concordância automática. Ele aponta a soberba como obstáculo e a humildade como passo inicial para conviver com diferentes visões.
A obra sustenta que a tolerância é ativa e exige coragem. Ressalta que não se trata de passividade, mas de uma escolha consciente que permite convivência entre ideias distintas sem violência ou coerção.
Contexto histórico
O artigo revisita Aristóteles, que defendia equilíbrio entre excesso e falta, evitando o ressentimento, a inveja e crimes. Marco Aurélio enfatiza convivência serena com quem pensa diferente, sem hostilidade.
A narrativa acompanha o papel da religião na história, desde a tolerância romana às tensões com judeus e cristãos, chegando às perseguições e à centralidade religiosa no debate de tolerância a partir da Reforma.
Principais pensadores
Locke defende que a força não convence; a tolerância está na recusa de impor crenças. Montesquieu separa tolerar de aprovar, exigindo reciprocidade entre grupos. Voltaire denuncia a intolerância após o caso Calas e defende a tolerância como valor.
Kant valoriza a liberdade de pensamento e Mill, a soberania da pessoa sobre corpo e mente, limitando a intervenção da sociedade a prejuízos a terceiros. Popper avisa sobre o paradoxo da tolerância frente à intolerância.
Desdobramentos modernos
Marcuse critica a tolerância que sustenta opressões, propondo tolerância libertadora contra movimentos de direita. O texto reconhece que há exceções, com caminhos diferentes para lidar com extremos.
Harari sugere que ideologias modernas podem funcionar como religiões, gerando forte comprometimento e polarização. Campbell aponta a falta de mitos compartilhados que organizem valores na modernidade.
Definições e limites
A discussão propõe separar o que não pode ser aceito — crimes e violações — do que pode ser tolerado, desde que não parcele direitos. A tolerância deve ser mútua e não renunciar a valores.
O artigo conclui que questionar, debater e criticar, sem violência, não é intolerância; silenciar ou perseguir é intolerância. A tolerância busca re-humanizar e reduzir conflitos, mantendo a coragem de discordar.
Paulo Bernardelli Massabki, arquiteto pela USP, autor de artigos sobre temas diversos, compila as ideias apresentadas neste texto.
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