Os estudantes das três universidades estaduais de São Paulo se mobilizam para cobrancar melhorias em bolsas, moradia e alimentação. O movimento envolve USP, Unesp e Unicamp e aponta para alterações no modelo de financiamento estadual e na qualidade dos serviços, com foco na permanência dos alunos.
A cobrança é dirigida aos reitores, que seriam acionados para ampliar moradia estudantil e restaurantes universitários, e ao governador Tarcísio de Freitas, que enfrenta pressão por um novo modelo de financiamento. Hoje, as instituições recebem parte fixa da arrecadação do ICMS, mecanismo criado em 1989.
O impasse decorre da reforma tributária aprovada em 2024, que prevê a substituição do ICMS pelo IBS até 2033. Sem mudança na base de financiamento, as universidades devem receber menos proporcionalmente, mesmo que o imposto total arrecadado seja mantido. A Assembleia Legislativa ainda não votou proposta de emenda.
Essa indefinição preocupa reitores e estudantes, segundo apuração da Folha. O quadro alimenta tensões internas, com demandas comuns como moradia, permanência e melhoria na oferta de serviços. Em paralelo, as universidades buscam preservar autonomia financeira.
A greve na USP
Na USP, um movimento estudantil em greve já soma quase três semanas, com adesão de todas as faculdades. A pauta central inclui aumento de bolsas integrais de 885 para aproximadamente 1.804 reais e melhoria na qualidade dos restaurantes universitários. Também há cobrança por novas ações de permanência.
A reitoria já propôs reajuste no Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil, com correção pelo IPC-Fipe. A bolsa integral passaria a 912 reais e a modalidade com moradia subiria para 340 reais. No entanto, o movimento não fechou acordo.
A universidade tem adotado medidas administrativas relacionadas ao calendário e aos espaços estudantis, enquanto a negociação segue sem consenso. Governo, reitores e estudantes mantêm a comunicação em aberto para avanços.
Situação na Unicamp
Na Unicamp, a pressão se volta para ampliar investimentos em moradia, contratação de docentes e serviços, além de ampliar a oferta de cursos. Professores e alunos apontam necessidade de reformas estruturais e de expansão de vagas com foco em acesso e permanência.
O campus de Limeira é citado como exemplo de déficit de moradia, destacando a lacuna de serviços entre unidades da instituição. A gestão afirma que o orçamento de permanência atingiu recorde em 2026, com 110,7 milhões de reais, e que 17 unidades já contam com restaurante, com previsão de abrir outra unidade ainda neste ano.
Situação na Unesp
A Unesp, mais presente no interior, é a mais pressionada pela ampla rede de campi. Os estudantes aprovaram paralisação para segunda e terça-feira, com foco em restaurantes, permanência e moradia, bem como na precarização do quadro de servidores.
Dos 24 campi, apenas 13 oferecem moradia estudantil. Doze contam com restaurante universitário subsidiado e seis com cantinas, somando cerca de 5 mil refeições diárias. Relatos de infraestrutura precária e refeições com erros aparecem entre as queixas.
Além disso, alunos reivindicam reposição de vagas para repor aposentadorias e desligamentos. A reitoria informou que, em 2025, a permanência atendeu 7.746 estudantes com algum tipo de auxílio, marco recorde, e que 110,7 milhões de reais foram destinados à permanência em 2026.
Na repressão do movimento, parte dos estudantes reclama que o custo de vida no estado compromete a permanência, levando a evasão e atraso na conclusão dos cursos.
Na tarde desta segunda-feira, 4, estudantes das três universidades se reuniram em protesto em frente ao Cruesp, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, na região central de São Paulo, cobrando respostas aos temas de moradia, alimentação e financiamento público.
Entre na conversa da comunidade