Rosana Paulino leva à Bienal de Veneza um olhar sobre a formação do Brasil, unindo arte e pesquisa histórica. A exposição Comigo Ninguém Pode reúne obras de sua trajetória com a curadoria de Diane Lima, ao lado de Adriana Varejão, no pavilhão brasileiro.
A artista, que vive e trabalha em São Paulo, reforça o vínculo entre memória e vida pública. A leitura proposta parte da escravização e de marcas coloniais, destacando como esse passado molda o presente cultural brasileiro.
Aos 60 anos e com 34 de carreira, Paulino atua ainda como pesquisadora de imagens do passado. Em Veneza, a mostra dialoga entre obras históricas e produções novas, conectadas pela violência estrutural da colonização.
O projeto também faz referência à planta que dá nome ao trabalho, associada à proteção pela toxicidade e ao desenho da série Senhora das Plantas. O conjunto busca um olhar crítico sobre a formação nacional.
Em entrevista a contexto da exposição, Paulino relata a relação com a obra de Varejão. Uma escultura em bronze surgiu a partir de uma sugestão da curadora, a partir de um desenho antigo da artista.
A trajetória de Paulino é marcada pela imaginação de uma mulher negra no circuito de arte, com foco em questões de feminilidade e violência contra corpos negros. Ela destaca o papel de sua família na construção do percurso.
O interesse por estudar, pesquisar e compartilhar conhecimento levou a artista a reconhecer o momento de ascensão do Sul Global. O objetivo é ampliar a leitura sobre o papel do Brasil no cenário internacional de artes.
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