A Polícia Militar desocupou na madrugada deste domingo a Reitoria da USP, após uma ocupação iniciada na quinta-feira. Aproximadamente 150 estudantes permaneciam no saguão, sob tensão, quando cerca de 50 policiais atuaram para dispersar o grupo. A ação terminou sem feridos segundo a SSP, mas deixou danos ao patrimônio público.
Relatos de estudantes apontam que a intervenção ocorreu por volta das 4h15, com o bloqueio do acesso ao prédio. Segundo a versão apresentada por alguns manifestantes, houve uso de cassetetes, bombas de efeito moral e a criação de um corredor para expulsar os ocupantes, causando traumas psicológicos e ferimentos. Parte das imagens foi registrada por cúmplices no local.
A SSP afirmou que a operação foi registrada por câmeras operacionais e que as imagens serão anexadas ao boletim. Também confirmou danos ao prédio, incluindo derrubada de portões e portas, além da apreensão de entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes. Quatro pessoas foram levadas ao 7º Distrito Policial, liberadas após a qualificação.
Contexto da desocupação
Antes da ação, a ocupação teve início para pressionar reivindicações ligadas à vida estudantil e aos salários de servidores. O movimento era coordenado pelo DCE, com programação cultural, assembleias e atividades democráticas, segundo relatos de estudantes. A reitoria diz ter tentado diálogo em três rodadas de negociação, mas encerrou os contatos diante da recusa de novas propostas.
O ponto central das reivindicações envolve o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Os estudantes defendem reajuste para o salário mínimo, estimando 1.804 reais mensais para o apoio integral, valor superior ao proposto pela instituição com base no IPC-FIPE. A greve estudantil manteve-se ativa, ainda que parte das demandas já tenha sido atendida para servidores.
Reações e próximos passos
O DCE critica a resposta da reitoria, alegando que a intervenção descumpriu o espírito de diálogo com a comunidade. A USP ainda não respondeu oficialmente ao pedido de posicionamento feito pela CNN Brasil. As autoridades de segurança informaram que a operação pretende manter a ordem pública e a integridade do patrimônio.
A cobertura continua com a divulgação de novas informações sobre a avaliação de denúncias de excesso de força, que serão apuradas, segundo a SSP. A instituição segue sob mobilização estudantil, com novos desdobramentos ainda sem definição temporal.
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