A invasão à reitoria da USP completa mais de 50 horas com estudantes mantendo ocupação do espaço. O movimento, liderado pelo DCE, já envolve quase 200 alunos que se revezam em turnos para manter o acampamento, a agenda cultural e a limpeza do prédio. O objetivo central é forçar reajuste do auxílio-permanência.
Entre os integrantes, há apoio a ações associadas ao Dia das Mães, com atividades previstas para este domingo. Rosa Baptista, estudante de Educomunicação, informou que o dia incluirá atividades para familiares dos estudantes presentes. A mobilização sustenta as reivindicações antigas da comunidade.
O reitor da USP, Aluísio Segurado, afirmou em entrevista não descartar a possibilidade de acionar a Justiça para retomar o prédio, caso a ocupação persista. A universidade já havia aberto três rodadas de negociação, que foram encerradas sem acordo, gerando frustração entre os manifestantes.
Pontos-chave da negociação
Os estudantes defendem aumento do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. Hoje, valores variam de R$ 335 a R$ 885, dependendo da situação de moradia. A proposta da USP prevê reajuste para R$ 912 (auxílio integral) e R$ 340 (auxílio parcial).
Os manifestantes insistem em um patamar de R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo regional. Dany Oliveira, estudante de Artes Cênicas, reforçou que a pauta é central há mais de um ano e que o diálogo com Segurado não avançou. A reitoria sustenta que a medida é uma solução, mas insuficiente aos olhos dos ocupantes.
A reitoria argumenta que a ocupação causa danos ao patrimônio público e cita necessidade de soluções jurídicas para liberar o espaço, caso não haja progressos. Em análise está a possibilidade de mediação futura, mas sem confirmação de novas negociações imediatas.
Além da questão financeira, estudantes apontam problemas estruturais da universidade, como gestão do restaurante universitário, moradia estudantil e queda de pessoal no Hospital Universitário. A reitoria afirma preocupação com a qualidade do ensino e com a permanência docente.
Entre na conversa da comunidade