A mãe que refez a vida após ser abandonada com a filha com zika mostra, dez anos depois, como apoio social e familiar ajudam a enfrentar as dificuldades deixadas pelo vírus. Ianka e Sophia vivem em Campina Grande, na Paraíba.
Sophia nasceu em 2016, durante a epidemia de zika. Microcefalia associada ao vírus exigiu cirurgia de gastrostomia e cuidados constantes. O pai deixou a família durante a gravidez.
A família recebeu apoio após o nascimento de Sophia. Ianka, então com 17 anos, recebeu suporte médico, social e, com o tempo, encontrou uma nova parceria. Vitor Francisco de Lima tornou-se o pai adotivo.
Em dezembro de 2023, Ianka casou-se com Vitor. Junto com Sophia, nasceu Ester em dezembro de 2024 e Efraim, entretanto, nasceu em 30 de abril deste ano. O casal também espera o crescimento da família.
Uma mudança financeira significativa ocorreu com a promulgação do PL 6064/23, que prevê indenização de R$ 50 mil e pensão vitalícia para famílias de crianças com síndrome congênita associada à zika. O benefício chegou em 2023.
Ianka recebeu a indenização em dezembro e passou a ter uma pensão mensal equivalente ao teto da Previdência. Com o recurso, o casal ampliou a capacidade de atender as necessidades de Sophia e Ester.
Além de reforçar a renda, a família criou um negócio caseiro de bolos e doces. Vitor também trabalhou em um bar, mas as demandas de Sophia dificultavam a atividade. A ajuda financeira permitiu planejar tratamentos.
A casa recebida pelo Minha Casa Minha Vida após o nascimento de Sophia já passou por reformas. O objetivo é ampliar o quarto e adaptar a casa para fisioterapia domiciliar e maior conforto para a menina.
As limitações de Sophia permanecem. A escoliose dificulta posições e o deslocamento exige apoio constante. Hoje, apenas Vitor consegue carregar a filha no colo, com cerca de 31 kg.
Mesmo diante dos desafios, Sophia encontra alegrias no dia a dia. Ela reage a estímulos no quintal, sorri para a família e demonstra prazer com a presença de Ester e com os rituais da casa.
Ianka enfrentou críticas ao longo dos anos, mas afirma que o cuidado com Sophia foi essencial. Quando Ester chegou, a dinâmica familiar ganhou mais leveza e apoio mútuo, segundo a mãe.
A visita de 2024 mostrou avanços em cuidados médicos, como a comida via sonda e o monitoramento de alergias. No entanto, questões como a dor causada pela escoliose continuam a exigir tratamento contínuo.
Ao longo da última década, a família manteve foco na qualidade de vida de Sophia. A esperança é ampliar a rede de apoio, manter a saúde da menina e garantir o bem-estar de todos os membros.
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