José César Aprilanti Gnaccarini, sociólogo e professor titular da USP, faleceu em 2025. Cassado pela ditadura militar da UnB devido à sua especialização em Marx, ele teve uma trajetória marcada pela convivência entre pesquisa acadêmica e engajamento político, segundo registros de familiares e colegas.
Gnaccarini nasceu em Campinas, em 28 de outubro de 1937, em uma família de italianos ferroviários. Escolheu Rafard, cidade do interior de sua mãe, como laboratório de pesquisa e coração afetivo. Ao longo da carreira, lecionou na USP, na UnB, na Unicamp e na FGV, mantendo uma postura discreta e altruísta.
Trajetória acadêmica e atuação profissional
O sociólogo ficou conhecido pela obra Latifúndio e Proletariado, que aborda o campesinato brasileiro, a estrutura agrária e os sujeitos sem-terra. Entre colegas, era visto como um professor dedicado, com forte vínculo com estudantes, professoras e alunas.
Relações e influências
Tido como aluno de Florestan Fernandes, Gnaccarini manteve contato próximo com colegas que, mesmo em divergências, reconheciam sua contribuição. Em Moçambique, chegou a ocupar uma cátedra e destinou parte de seu salário a projetos de assistência aos mais pobres, segundo relatos da família.
Contexto pessoal e legado
Casou-se recentemente antes de ficar viúvo na época da cassação. Pai de três filhas, avô de duas netas, dedicava-se aos estudos e aos vínculos familiares com carinho. Amigos de longa data destacam sua sensibilidade e o cuidado com as colegas de universidade.
Últimos anos e homenagens
Entre amigos próximos, o sociólogo José de Souza Martins chegou a ser um dos primeiros a visitá-lo após o falecimento e prometeu dedicar uma homenagem em sua obra recente. A comunidade acadêmica da USP recorda Gnaccarini pela contribuição ao pensamento social brasileiro e à formação de novos pesquisadores.
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