Valie Export, artista feminista pioneira que desafiou a natureza da arte e do cinema, morreu aos 85 anos. A confirmação veio pela galleria Thaddaeus Ropac, que representa a artista. A morte ocorreu em 14 de maio, poucos dias antes de seu aniversário de 86.
Ao longo de seis décadas, Export criou um corpo de trabalho que problematizou o cinema e a arte, com foco no corpo e na experiência tátil. Em 2020, ela descreveu o centro de sua produção como a corporeidade feminina.
Nascida Waltraud Lehner, em Linz, Áustria, em 1940, Export adotou o nome artístico nos anos 60 para explorar identidade e feminismo. Sua trajetória incluiu atividades de cinema expandido e ações que exigiam participação do corpo como meio de expressão.
Entre os marcos estavam as ações TAP and TOUCH CINEMA e Action Pants, realizadas entre 1968 e 1970, que questionaram percepções de cinema, sexualidade e consentimento. Em outra série, as “Body Configurations” mostraram o corpo em posições pouco usuais para repensar atributos femininos.
Export ganhou destaque internacional ao participar de grandes palcos, como Documenta 6 (1977) e Documenta 12 (2007), além de representar a Áustria na Bienal de Veneza em 1980, ao lado de Maria Lassing. O reconhecimento incluiu retrospectivas no Centre Pompidou (2007) e no MAK Center (2024).
Ao longo da carreira, a artista também atuou como professora, lecionando em instituições como San Francisco Art Institute e University of the Arts Berlin, com destaque para a Academia de Mídia em Colônia (1995–2005). Seu legado permanece como referência no debate sobre gênero e mídia.
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