Na tarde de 16 de janeiro, um motorista de aplicativo de 68 anos e sua esposa de 67 morreram após o carro ser arrastado por uma inundação na avenida Carlos Caldeira Filho, na Vila Andrade, zona sul de São Paulo. A água subiu em três minutos, levando o veículo para o córrego Morro do S.
O casal estava voltando para casa quando o veículo ficou preso no trecho alagado. A tragédia ocorreu na região com maior concentração de alagamentos na cidade, que já registrações intensas desde o início de 2026.
Segundo dados da Defesa Civil, 66 ocorrências foram registradas na área da Campo Limpo entre janeiro e março, o maior total já observado desde 2013. A zona sul teve 201 notificações no mesmo período, ampliando o quadro histórico.
Na comparação anual, o total de ocorrências em janeiro a março de 2026 superou a zona leste pela primeira vez desde o início da série, em 2013. A zona leste registrou 160 casos, enquanto a sul atingiu 409 registros no trimestre.
Mudança no padrão de chuvas e impactos
Analistas apontam mudança no padrão de precipitações, impermeabilização do solo e redução de áreas verdes como razões para o acúmulo de água em vias urbanas. Estudo da Folha com dados do Geosampa mostra o aumento de alagamentos na região.
A bacia do Morro do S concentra grande parte das cheias, com 62 mm de chuva em 30 minutos durante o temporal que levou ao transbordamento. O volume é descrito como atípico pelos órgãos municipais.
Especialistas destacam que o adensamento urbano e a ocupação irregular de margens de córregos intensificam o risco. Reservatórios de armazenamento são apontados como medidas-chave para reduzir grandes volumes de água.
A administração municipal afirma ter investido R$ 10,6 bilhões em infraestrutura de drenagem de 2021 a 2026, e que obras seguem em andamento nos sistemas Morro do S e Pirajuçara. O piscinão do Capão Redondo está previsto para funcionar no segundo semestre.
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