O mundo da gastronomia perdeu nesta sexta-feira 22 a voz de uma revolução silenciosa. Carlo Petrini, criador do movimento Slow Food, faleceu aos 76 anos em Bra, cidade do Piemonte, no norte da Itália. Ele lutava contra o avanço da industrialização da alimentação e enfrentava um câncer de próstata.
Fundador oficial do Slow Food em 1986, o movimento nasceu como resposta à abertura de uma unidade de fast food em Roma. O caracol, símbolo da desaceleração, representa comer com tempo e valorizar ingredientes locais e produtores artesanais.
Sob o lema bom, limpo e justo, o Slow Food ganhou alcance global, hoje presente em mais de 160 países. Petrini ajudou a moldar debates sobre rastreabilidade, biodiversidade e sustentabilidade na gastronomia.
Além da organização, Petrini criou a Arca do Gosto, para mapear ingredientes em risco, e a rede Terra Madre, que conecta agricultores, pescadores e cozinheiros. Em 2004, fundou a University of Gastronomic Sciences, em Pollenzo.
A universidade foi apresentada como a primeira dedicada às ciências gastrônomicas e aos sistemas alimentares sustentáveis, recebendo estudantes de mais de 100 países. O objetivo: formar profissionais com visão ampla da alimentação.
Petrini manteve relações com líderes globais ligados ao tema ambiental, como o Papa Francisco e o Rei Charles III, reforçando a atuação do Slow Food em pautas de sustentabilidade.
No Brasil, o movimento desenvolveu redes locais, incluindo a Arca do Gosto Brasil, dedicada a mapear produtos nativos e produtores ameaçados. Em 2017, Petrini esteve no Rio para lançar a edição brasileira.
Sua obra envolve ainda a defesa de que comida não é apenas mercadoria, mas um ato cultural e político. A morte de Petrini deixa um legado vivo na forma de encarar o prato e a cadeia alimentar.
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