O delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação inicial da morte de Henry Borel, afirmou nesta terça-feira que a versão apresentada pelos réus logo após o crime foi uma farsa ensaiada. O depoimento ocorreu no segundo dia do júri popular de Jairinho e Monique Medeiros, no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Damasceno destacou divergências entre o relato de Monique e as provas técnicas reunidas pela polícia. Segundo ele, a mãe afirmou ter voltado rapidamente para casa após um alerta da babá, mas mensagens indicaram que ela permaneceu em um salão de beleza por horas antes de chegar ao apartamento.
O delegado também disse que testemunhas, incluindo a babá e a avó da criança, teriam sido orientadas por advogados a mancar depoimentos iniciais na delegacia. A investigação aponta que Henry vivia sob uma rotina de agressões e torturas praticadas pelo padrasto.
Rotina de agressões e laudos
O laudo do Instituto Médico-Legal identificou 23 lesões no corpo da vítima, com a morte causada por hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente. De acordo com Damasceno, os resultados tornam improvável a versão de acidente doméstico apresentada pela defesa.
Continuidade do julgamento
O júri deve durar de sete a dez dias. Além de Damasceno, a agenda do segundo dia prevê a oitiva da delegada Ana Carolina Medeiros e do perito Luiz Carlos Prestes. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
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