Estelle-Sarah Bulle participou de uma mesa na Feira do Livro, na qual mencionou como o racismo molda sua obra. A autora francesa destacou que experiências de discriminação tornam-se núcleo de suas narrativas, especialmente por ser mulher negra.
Durante o encontro, mediado por Adriana Ferreira Silva e com a presença de Bianca Santana, Bulle relatou episódios vividos em hotéis, como ser encaminhada a espaços reservados a funcionários e ouvir perguntas inadequadas sobre sua função. Situações similares já ocorreram quando visitava Guadalupe, território francês no Caribe.
A escritora explicou que não domina a língua crioula do pai, mesmo ouvindo-a na família, e que o desejo de ascensão social definiu escolhas linguísticas. Ela defende a ideia de escrever histórias próprias e verbos de comunidade negra, ampliando a representação na literatura brasileira.
Trajetórias entrelaçadas pela identidade
Bianca Santana destacou pontos em comum entre os percursos das duas escritoras, com foco na busca por narrativas que abordem origens familiares e identidade racial. Santana ficou conhecida por relatos como o início de uma jornada literária marcada por resistência e reflexão sobre raça.
Na sequência do debate, Chico Mattoso e Maria Brant discutiram obras que retratam o Brasil sob a ótica infantil durante a ditadura militar. Mattoso falou de O Hipopótamo, Brant de O Ano do Cometa, lembrando que a democracia enfrentou desafios profundos nas últimas décadas.
O texto de Mattoso apontou a ideia de ingenuidade sobre a democracia vinda após a ditadura. Brant ressaltou a continuidade de tensões políticas e a ascensão de ideias autoritárias nos últimos anos, especialmente com o impacto de eleições recentes.
Entre na conversa da comunidade