Com a Copa do Mundo em pauta, entidades de defesa dos direitos do trabalhador e da criança lançaram a campanha Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil. O movimento reúne MTE, Justiça do Trabalho, OIT, MPT e FNPETI para marcar o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, em 12 de junho. O objetivo é ampliar o engajamento de governos, sociedade civil, setor privado e cidadãos na luta contra a prática, especialmente diante de desigualdades sociais.
Segundo dados da OIT, cerca de 138 milhões de crianças no mundo trabalham. No Brasil, o IBGE estimou 1,64 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nessa condição, em 2024. A pesquisa aponta que 88,8% desses jovens também eram estudantes, diante de 97,5% da faixa etária escolarizada na população total.
A faixa etária de 16 e 17 anos apresenta maior abandono escolar entre quem trabalha. A frequência entre jovens em situação de trabalho infantil chega a 81,8%. O estudo revela ainda que 560 mil jovens estavam em atividades incluídas na Lista TIP, com maior risco à saúde, à segurança e à integridade.
Houve crescimento de 2,1% no total de jovens nessa condição em comparação com 2023, com as maiores altas nas regiões Sul e Nordeste. Regiões Norte apresentou queda nesses índices. Do total de crianças e adolescentes em trabalho infantil, parte significativa está exposta a atividades perigosas ou insalubres.
O Ministério Público do Trabalho aponta que, entre 2007 e 2024, ocorreram mais de 45 mil acidentes de trabalho graves envolvendo crianças e adolescentes no país, evidenciando riscos ocupacionais e impactos à saúde e ao desenvolvimento.
A mobilização recebe apoio de Vinícius Pinheiro, diretor do escritório da OIT no Brasil, que ressalta a relevância de unir esforços durante a Copa para defender as crianças. Fernanda Brito Pereira, coordenadora nacional do Coordinfância do MPT, destaca a naturalização do trabalho infantil e a necessidade de esclarecer direitos para prevenir a prática.
Os organizadores: instituições públicas, organizações da sociedade civil, setor privado e cidadãos podem aderir à campanha, com orientação disponível no material do FNPETI. Denúncias podem ser feitas ao MPT, ao Ipetrabalhoinfantil, ou pelo Disque 100.
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