Costières de Nîmes, carimbo sul-ródano, emerge como foco de experimentação agrícola e vinícola. Em visitas recentes, produtores apresentaram novas variedades e técnicas para enfrentar doenças e mudanças climáticas, ampliando o uso de safras e terroir locais.
A região, que compõe 11 appellations do Vale do Rhône, fica na faixa sul central do Côtes-du-Rhône. Costières de Nîmes, com solos pedregosos, faz fronteira com o parque natural de Camargue e compartilha caracteres únicos com Châteauneuf-du-Pape, apesar de ter identidade própria.
Georges Truc, conhecido oenogeólogo, revisitou o terroir local, ajudando agricultores a encarar o que antes era visto como senso de inferioridade regional. Cyril Marès, da Mas Carlot, afirma que a percepção de valor do território ganhou impulso com a avaliação recente.
VIFAs: variedades de interesse para adaptação
A região testa novas variedades para combater doenças e mudanças climáticas. VIFAs (Variétés d’Intérêt à Fin d’Adapatation) incluem brancos como Piquepoul Blanc e Tourbat, além de tintos como Montepulciano e Morrastel (Graciano). As uvas buscadas mantêm acidez e equilíbrio.
Regras locais restringem o uso: até 5% da área de vinhedos pode abrigar VIFAs, com até 10% do corte final das wines. Após um período de avaliação de 10 anos, autoridades da appellation decidem a adesão futura. A aposta é ampliar a diversidade sem perder a identidade.
Costières de Nîmes tem produção expressiva no Rhône, respondendo por cerca de 5% do total da região. O objetivo é manter a qualidade enquanto se testa melhorias de manejo e uma carta de variedades mais ampla, mantendo rigor técnico.
Regeneração no manejo e impacto no conceito de produção
Em termos de sustentabilidade, 2024 marcou 29% de produção orgânica ou biodinâmica, acima da média regional de 23%. Propriedades destacadas seguem práticas biodinâmicas com foco no solo, biodiversidade e bem-estar de trabalhadores.
A família Gassier lidera uma linha inovadora: Domaine Gassier e Château de Nages obtiveram certificação regenerativa em 2023, primeira do tipo na França. A proposta envolve solo mais saudável, ecossistemas locais estáveis e comunidades fortalecidas.
Isabel Gassier descreve a regeneração como prática contínua, com manejo sem arar para preservar fungos subterrâneos, uso de cobertura vegetal e implementação de árvores entre parcelas para incentivar aves e reduzir pragas. Parte das ações envolve responsabilidade social com trabalhadores.
Ressalta-se que a regeneração não é apenas técnica agrícola, mas filosofia de gestão que busca equilíbrio entre produção, meio ambiente e pessoas. A adoção dessa abordagem está elevando a percepção de costières como referência de qualidade regional.
Mesmo com avanços, avaliadores ressaltam que o cenário é heterogêneo. Hoje, mais de 100 produtores atuam na região, mas apenas uma parcela produz vinhos que se destacam consistentemente, apontando para um caminho de maior segmentação e especialização.
O conjunto de iniciativas aponta para um futuro em que Costières de Nîmes pode consolidar sua posição. Experimentos com novas variedades, manejo regenerativo e práticas sustentáveis fortalecem a promessa de vinhos de alto nível sem abrir mão da identidade local.
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