David Hockney, o pintor britânico considerado uma figura-chave na virada do século XX da arte, morreu aos 88 anos. A confirmação veio de familiares próximos, que destacaram a importância do artista para a história da arte contemporânea.
Ao longo de mais de seis décadas, Hockney desafiou convenções com uma abordagem experimental. Começou como ícone pop nos anos 60, ficou conhecido pelas piscinas californianas e abriu portas para leituras diversas da imagem, da cor e da perspectiva.
Nascido em Bradford, em 1937, entrou para a Royal College of Art em 1959 após cumprir serviço militar. Sua obra abrangeu retratos fotocombinados, paisagens abstratas e, na última fase, trabalhos que exploram tecnologias emergentes.
Carreira e marco
Durante a trajetória, o artista manteve uma postura disruptiva diante do conservadorismo social vigente. Obras como We Two Boys Together Clinging sinalizaram a coragem de tratar temas LGBTQ+ com franqueza, antes da descriminalização.
A transição para Los Angeles na metade dos anos 60 consolidou a fase madura de seu trabalho, com pinturas que traduzem emoção contida em composições mais realistas. Em 2018, um retrato de 1972 chegou a recorde de venda em Christie’s.
Legado tecnológico e final
Hockney abriu caminho para o uso de recursos como copiadoras, faxes e iPad para ampliar a produção pictórica. Em entrevistas, enfatizava o interesse por tecnologias que gerem imagens, sem abandonar a busca pela representação.
A vida pessoal de Hockney também ganhou contornos dramáticos: em 2013, a morte de um assistente gerou impacto em seu processo criativo, levando o artista a lidar com o luto sem abandonar a arte.
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