A cacica Catarina Kunhã Nimbopÿrua morreu no dia 16 deste mês, aos 75 anos, em São Paulo. Nascida em 1950 na Terra Indígena Bananal, contribuiu como liderança do povo tupi-guarani no litoral paulista, educadora e referência feminina no movimento indígena. A sua morte ocorreu no contexto de uma trajetória marcada pela defesa dos direitos territoriais e culturais.
Atuou na elaboração da Constituição de 1988, contribuindo para garantias territoriais e culturais aos povos originários. Foi protagonista na educação escolar indígena no estado, especialmente na Terra Indígena Piaçaguera, em Peruíbe, onde atuou como professora e vice-diretora. Também integrou ações de saúde, cultura e território ao longo de sua atuação.
Kunhã Nimbopÿrua teve participação relevante na União das Nações Indígenas, na década de 1970, ao lado de lideranças como Ailton Krenak. Na capital paulista, ajudou a consolidar o Museu das Culturas Indígenas, considerado por ela uma casa de transformação. Ainda atuou como conselheira do Aty Mirim, fortalecendo a participação indígena na instituição.
Legado e reconhecimento
Instituições, movimentos e autoridades lamentaram a perda. A Apib destacou-a como liderança política de primeira ordem e referência estratégica na defesa de direitos originários. Sônia Guajajara, deputada federal, ressaltou a importância da cacica como grande referência para os povos originários.
Catarina Kunhã Nimbopÿrua deixou quatro filhos e dez netos. Sua trajetória permanece como marco na história do movimento indígena brasileiro, especialmente no campo da educação, cultura e territorialidade. O sepultamento e homenagens seguem sob reserva de informações oficiais.
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