Um estudo publicado na JAMA Pediatrics, divulgado em junho, avaliou o uso de telas durante as refeições em família nos Estados Unidos. Foram entrevistados 357 pais ou cuidadores de crianças entre 4 e 10 anos, para entender hábitos durante a última refeição em casa.
Os resultados indicam que 77,6% dos pais relataram uso de dispositivos na refeição, e 68,7% das crianças também utilizaram alguma tela nesse momento. Entre os tipos de dispositivos, adultos mais recorrem a smartphones, enquanto as crianças ficam expostas a conteúdos em telas grandes e pequenas.
Segundo a pediatra Anna Dominguez Bohn, os dados sinalizam uma mudança no comportamento familiar durante um período historicamente de convivência. As refeições em família continuam importantes para vínculos, mas o uso de telas já é parte da rotina de adultos e crianças.
Diferenças nos dispositivos e nas formas de uso
Em cerca de 65,3% das famílias, pais e filhos estavam conectados simultaneamente durante a refeição. O estudo mostra que o uso por parte dos pais não determina o tipo de tela para as crianças, e vice-versa, sugerindo hábitos com base em padrões individuais.
Os autores destacam que hábitos dos pais influenciam o comportamento infantil, mas que há variações na forma de uso entre grupos. Assim, recomenda-se abordar cada grupo com orientações específicas.
Pesquisas anteriores associaram refeições em família à prevenção de transtornos alimentares, uso de substâncias e à redução de depressão e ansiedade na adolescência, especialmente com interação ativa entre os membros. Esses achados reforçam a necessidade de acompanhar como as telas afetam a comunicação.
A pediatra enfatiza que a presença constante de telas pode diminuir a função social da refeição, afastando momentos de conversa e troca. A atenção dividida pode reduzir oportunidades de interação e desenvolvimento infantil.
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