A professora baiana Vera Lacerda, 79 anos, relembra em detalhes as motivações que levou à criação do bloco Ara Ketu, em março de 1980, no bairro de Periperi, em Salvador. A iniciativa nasceu da busca por transformação social por meio da música e do carnaval.
Ao lado do primo Augusto César, falecido em 2016, Vera percebeu que o melhor caminho era usar a arte para reduzir a marginalização na periferia ferroviária. O Ara Ketu tornou-se referência nacional e ganhou projeção internacional.
O nome do bloco presta homenagem à cidade de Ketu, no Benim, destacando raízes africanas. Vera enfatiza que a proposta era tirar jovens do tráfico e da criminalidade por meio de cursos profissionalizantes na área musical e afins.
Didá e a liderança feminina
A ação de Vera inspira o Didá, bloco exclusivo para mulheres no Pelourinho. Débora Souza, 48 anos, preside desde 2009 a agremiação que já recebeu mais de cinco mil integrantes ao longo dos anos.
Débora ressalta que o Didá utiliza o tambor para expressar alegria, sentimentos e pautas de igualdade, com a ideia central de assegurar liberdade para todas as mulheres. A liderança do Didá é vista como empoderadora.
Vozes da periferia e transformação
No mesmo festival, Denise Oliveira, cantora e radialista da Rádio Nacional, destacou a relação entre arte e identidade. Denise cresceu na região administrativa de São Sebastião, no DF, e atua como produtora cultural.
Ela cita a transformação proporcionada por Ara Ketu e Didá, que ampliam perspectivas de vida na periferia. Denise também criou o projeto Vozes da Diversidade, indicado ao prêmio WME Billboard 2024, reconhecendo histórias de empoderamento feminino.
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