Pela primeira vez, a PNAD-Educação do IBGE aponta que o analfabetismo no Brasil ficou abaixo de 5%. A divulgação ocorreu nesta sexta-feira, 19. O indicador revela avanços, principalmente entre quem tem até 39 anos.
Apesar das quedas, a PNAD aponta ainda 8,1 milhões de jovens de 15 a 29 anos não trabalham, não estudam e não participam de qualificação, o que representa 17,5% desse grupo. A soma de jovens nessa situação é maior entre meninas.
A evasão escolar também caiu, mas segue elevada: 7,9 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não concluíram o ensino médio ou nunca frequentaram a escola.
Busca ativa de jovens que abandonam a escola
Cláudia Costin, presidente do Instituto Salto, ressalta a necessidade de ações para localizar jovens que abandonaram os estudos e buscar meios de incentivá-los a retornar.
A especialista participa de entrevistas sobre os resultados da PNAD-Educação e aponta políticas para evitar defasagens, ampliar a permanência escolar e melhorar o desempenho.
Ela avalia que a redução da evasão pode estar associada a programas de incentivo, como medidas que estimulam a conclusão do ensino médio e a preparação para o Enem, além do aumento de tempo integral.
Impacto de programas e horários na evasão
Segundo Costin, o fim do ensino noturno para jovens pode contribuir para a melhoria da aprendizagem, devido a maior disponibilidade de tempo para atividades educacionais.
Ela comenta ainda que a ampliação de escolas em tempo integral favorece orientação de estudos, redução de reprovação e recuperação de defasagens.
A especialista aponta que a fiscalização de jovens em idade escolar é essencial para reduzir a evasão, associando a permanência na escola a oportunidades futuras de trabalho.
Desafios para creches e educação infantil
Sobre a participação de crianças de 0 a 3 anos na educação, a pesquisadora destaca gargalos como a disponibilidade de vagas, transporte escolar e infraestrutura das creches.
Ela defende ampliar o número de creches e melhorar condições de espaço ao ar livre, alimentação e cuidado, com foco na sustentação da faixa etária até os seis anos.
Costin aponta também que, entre os 4 e 5 anos, a pré-escola é crucial para o desenvolvimento de competências socioemocionais, letramento e matemática, reiterando a importância de continuidade após a pandemia.
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