A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgaram notas nesta quinta-feira (16) criticando a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. As duas entidades classificaram a medida como prejudicial à competitividade da indústria nacional. Fiesp cita isolamento do Brasil A Fiesp […]
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgaram notas nesta quinta-feira (16) criticando a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. As duas entidades classificaram a medida como prejudicial à competitividade da indústria nacional.
Fiesp cita isolamento do Brasil
A Fiesp afirmou lamentar “com profunda preocupação” a aplicação da nova sobretaxa, considerada especialmente prejudicial por afetar unicamente o Brasil e reduzir a competitividade global do país. Segundo a nota, fatores políticos pesaram na decisão americana, com ruídos diplomáticos e desalinhamento do governo brasileiro com Washington contribuindo para desgastar a relação bilateral.
Para a Fiesp, a nova tarifa poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática. A entidade afirma ter buscado esse caminho durante audiências públicas nos Estados Unidos e em outras oportunidades ao longo do último ano.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou que o mercado americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Segundo ele, a nova tarifa se soma aos desafios já enfrentados pelas empresas do país, como alta carga tributária e juros reais elevados.
CNI aponta queda nas exportações
Já a CNI classificou a sobretaxa como uma ameaça às exportações e à competitividade da indústria brasileira. De acordo com a entidade, a medida agrava um cenário que já pressionava as vendas do Brasil aos Estados Unidos e amplia a insegurança para empresas dos dois países.
A organização ainda afirma que as exportações brasileiras ao mercado americano caíram 13% desde a aplicação das tarifas de 2025, prejuízo equivalente a US$ 2,6 bilhões. A retração foi puxada por uma queda de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente produtos siderúrgicos, pasta de celulose e petróleo. Mesmo assim, os Estados Unidos seguiram como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período.
A CNI também informou que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas vendas para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Diante desse cenário, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu esforços para recuperar a relação comercial entre as duas nações.
Novo tarifaço
A sobretaxa foi confirmada pelo governo americano na quarta-feira (15) e entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas desleais adotadas pelo Brasil no comércio internacional.
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