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20 anos da Lei Maria da Penha: medidas protetivas ainda enfrentam desafios

Lei Maria da Penha completa 20 anos com avanços na proteção às mulheres, mas descumprimento de decisões ainda preocupa

Mulheres fazem passeata no Dia Internacional da Mulher - 8M, por direitos e contra a violência e o feminicídio, no centro da cidade. | Fernando Frazão/Agência Brasil
Mulheres fazem passeata no Dia Internacional da Mulher - 8M, por direitos e contra a violência e o feminicídio. | Fernando Frazão/Agência Brasil

A Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (7) como um dos principais instrumentos de combate à violência contra as mulheres no Brasil. Sancionada em 2006, a legislação criou mecanismos específicos de proteção, como as medidas protetivas de urgência, que podem determinar o afastamento do agressor e a proibição de contato com a vítima.

Apesar dos avanços, o descumprimento dessas medidas ainda é um desafio. Em São Paulo, foram registrados 13.301 descumprimentos de medidas protetivas no primeiro semestre de 2026, alta de 18,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A legislação também ampliou o reconhecimento das diferentes formas de violência e passou por novas atualizações ao longo dos anos. Um estudo do Ipea estimou que a lei reduziu em cerca de 10% a taxa de homicídios de mulheres dentro das residências. Mulheres em situação de violência podem procurar uma Delegacia da Mulher ou uma delegacia comum, além de buscar orientação pelo Ligue 180.

A Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (7) como um dos principais instrumentos de combate à violência contra as mulheres no Brasil. Sancionada em 2006, a legislação criou mecanismos específicos de proteção às vítimas.

Entre os principais instrumentos estão as medidas protetivas de urgência. Elas podem determinar que o agressor mantenha distância da vítima, não entre em contato com ela e deixe o local de convivência.

Na prática, porém, o descumprimento dessas decisões ainda é um problema. Em São Paulo, foram registradas 13.301 descumprimentos de medidas protetivas no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). O número representa aumento de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025.

O descumprimento pode colocar mulheres novamente em situação de risco. Em janeiro deste ano, Carla Carolina Miranda da Silva foi morta a facadas em uma rua da capital paulista. Ela já havia denunciado o agressor e tinha uma medida protetiva que determinava que ele não se aproximasse.

O caso expõe um dos desafios da Lei Maria da Penha: garantir que as medidas determinadas pela Justiça sejam efetivamente cumpridas e fiscalizadas.

Mesmo com a legislação e os mecanismos de proteção, a violência contra as mulheres continua apresentando números elevados no país. Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, o maior número da série histórica, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O resultado representa alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a criação do crime de feminicídio, em 2015, pelo menos 13.703 mulheres foram assassinadas em razão de sua condição de mulher, de acordo com dados do Fórum.

+ Feminicídio: uma mulher morta a cada 25 horas em SP no 1º trimestre de 2026

Os avanços em 20 anos

Embora ainda enfrente desafios, a legislação mudou a forma como a violência doméstica é tratada no Brasil. Antes da legislação, agressões cometidas dentro de relações familiares ou afetivas muitas vezes eram tratadas como conflitos particulares. Com a lei, essas agressões contam com mecanismos específicos de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 2015, estimou que a Lei Maria da Penha reduziu em cerca de 10% a taxa de homicídios de mulheres dentro das residências. A pesquisa comparou a evolução dos homicídios antes e depois da legislação e concluiu que, sem a lei, o crescimento da taxa teria sido aproximadamente 10% maior.

A legislação também ampliou o entendimento sobre a violência doméstica. Além da agressão física, a lei reconhece as violências psicológica, sexual, patrimonial e moral. Em 2026, a violência vicária também foi incluída. O conceito abrange situações em que o agressor utiliza filhos, familiares ou outras pessoas próximas para atingir a mulher.

No primeiro sinal, procure ajuda

A violência doméstica não se limita à agressão física. Ameaças, perseguições, humilhações, controle financeiro e outras formas de violência também podem ser denunciadas.

Mulheres que estejam sofrendo violência doméstica podem procurar uma Delegacia da Mulher (Deam) ou uma delegacia comum para registrar a ocorrência. A vítima também pode solicitar medidas protetivas de urgência, que podem determinar o afastamento do agressor e a proibição de contato ou aproximação.

O Ligue 180, serviço do Ministério das Mulheres, oferece informações e orientações sobre direitos e sobre a rede de atendimento. Em situações de emergência ou quando houver risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

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