O Ministério Público de São Paulo (MPSP) suspeita que Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como “Escorpião do PCC”, esteja foragido em decorrência de um ataque hacker na base nacional de dados prisionais, o BNMP.
Segundo o órgão, a alteração de dados, “provocada, aparentemente, por um hacker, pode ter sido decisiva para essa situação de fuga”.
Preso em fevereiro, Alex foi solto em 6 de agosto após o juiz Antonio Carlos Pontes de Souza conceder liberdade provisória. O MPSP recorreu e, logo no dia seguinte, a Justiça restabeleceu a ordem de prisão.
Desde então, ele é considerado foragido. A situação ganhou um novo contorno em 16 de setembro, quando os promotores perceberam que o mandado de prisão de Alex não constava no banco de dados do BNMP.
Após a informação do MPSP, a Secretaria Judicial, naquele mesmo dia, certificou a alteração dos dados no BNMP, informando que a alteração teria partido de uma juíza no Rio Grande do Sul, que foi hackeada.
“Aparentemente, houve alteração dos dados do Bispo, com inclusão de dados de outra pessoa, de modo que quando se pesquisava pelo CPF dele, não constava o mandado. […] Por parte da Promotoria do Tribunal do Júri, por enquanto, não há maiores informações para que se identifique quem foi o responsável”, afirmou o MPSP em nota enviada ao Portal Tela.
Após a descoberta da fraude, o MPSP comunicou o fato ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), que informou que “não tinha conhecimento prévio dos fatos relatados”.
Além disso, em resposta ao Portal Tela, informou que “medidas preventivas e corretivas” estão sendo adotadas. O TJ-RS abriu uma investigação para apurar o eventual uso indevido das credenciais e analisar providências adicionais.
“Tanto o setor de Inteligência quanto a área de Tecnologia da Informação do TJ-RS realizaram os encaminhamentos necessários e orientaram a magistrada cujas credenciais teriam sido utilizadas a proceder à troca de sua senha de acesso ao sistema”, completou o tribunal.
Entenda o caso
A adulteração no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) foi revelada nesta terça-feira (22) pelo jornal Folha de S.Paulo.
Uma verificação do TJ-SP constatou que o Registro Judiciário Individual (RJI) de Alex foi alterado. O RJI funciona como uma espécie de “CPF prisional”, um código vinculado unicamente a uma pessoa dentro do sistema carcerário brasileiro.

Alex Leandro é conhecido como “Escorpião do PCC” (Reprodução/Inquérito policial)
Alex Leandro é réu por homicídio contra a companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, em novembro de 2025.
Segundo a Polícia Civil, que o aponta como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), ele teria jogado a jovem da sacada do apartamento onde viviam, no 10º andar de um prédio na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo.
Ao recorrer da soltura, o Ministério Público argumentou que há indícios suficientes do cometimento do crime, exigindo que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri. Os promotores defenderam que o restabelecimento da prisão é necessário para proteger a ordem pública, dada a gravidade do crime, e para garantir que o réu não atrapalhe o andamento do processo, já que as testemunhas do caso ainda precisarão depor novamente perante os jurados.
A defesa do empresário nega o crime, afirma que a jovem cometeu suicídio e rechaça qualquer ligação dele com a facção criminosa.
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