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Caso Porsche: Fernando Sastre muda versão e admite consumo de álcool

No segundo dia do júri popular, réu chorou, pediu perdão à família da vítima e mudou versão apresentada anteriormente

Motorista de Porsche confessa que bebeu antes de acidente que matou motorista de aplicativo em SP
Motorista de Porsche confessa que bebeu antes de acidente que matou motorista de aplicativo em SP. | Reprodução/Secretaria da Administração Penitenciária

O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho admitiu nesta quinta-feira (29) que ingeriu bebida alcoólica antes de provocar o acidente com um Porsche que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, em março de 2024, na zona leste de São Paulo. A confissão ocorreu durante o segundo dia do julgamento do réu pelo Tribunal do Júri, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital.

“Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica”, afirmou Sastre durante o interrogatório. Até então, ele negava ter consumido álcool naquela noite e sustentava que havia bebido apenas água.

Questionado pelo Ministério Público sobre a mudança de versão, o empresário disse que poderia apresentar diversas desculpas, mas que decidiu falar a verdade. Ele também afirmou que, ao deixar uma casa de pôquer onde estava com amigos e a namorada, acreditava não estar embriagado e ter condições de dirigir.

Durante o depoimento, Sastre chorou e pediu perdão às vítimas e aos familiares. O empresário disse que sofre com as consequências do acidente e negou ter tido a intenção de provocar a colisão.

“Eu imagino toda dor e sofrimento que eles estão sentindo. O seu Ornaldo tinha quase a mesma idade do meu pai. Posso imaginar o que eles estão sentindo e toda a devastação”, declarou.

O réu também apresentou sua versão sobre a saída do local do acidente. Segundo ele, sua mãe o retirou da região depois que Ornaldo e Marcus Vinícius Machado Rocha, amigo que estava no banco do passageiro do Porsche, já haviam sido resgatados. Sastre afirmou que deixou o local após receber autorização de um policial. Os policiais Daisy Aparecida Cardoso Romão e Thiago Silva Batista foram denunciados por liberarem Fernando Sastre sem a realização do teste de bafômetro.

A mãe do empresário havia alegado que levaria o filho ao hospital por causa de um ferimento leve na região da boca. No entanto, quando policiais foram até a unidade de saúde para realizar o teste do bafômetro e colher seu depoimento, foram informados de que ele não havia dado entrada em nenhum dos hospitais da rede.

Testemunhas confirmaram consumo de álcool

O julgamento começou na quarta-feira (28). No primeiro dia, testemunhas confirmaram que Sastre havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir.

Marcus Vinícius, amigo do empresário e passageiro do Porsche no momento da colisão, afirmou que Fernando estava alterado e falava em tom acima do habitual. Segundo ele, amigos e familiares chegaram a pedir que o empresário não assumisse a direção.

Marcus também relatou que Sastre retirou o veículo da vaga lentamente, mas acelerou bruscamente logo depois. O passageiro não se recorda do momento da batida. Ele ficou 10 dias internado e passou por cirurgias para a retirada do baço e a colocação de drenos nos pulmões.

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Relembre o caso

O acidente ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, zona leste da capital paulista. O Porsche conduzido por Sastre atingiu a traseira do Renault Sandero dirigido por Ornaldo, que morreu após ser socorrido e levado ao Hospital Municipal do Tatuapé.

Segundo laudo do Instituto de Criminalística, o veículo de luxo trafegava a aproximadamente 136 km/h no momento do impacto, em um trecho com limite de velocidade de 50 km/h.

Fernando responde por homicídio qualificado, com dolo eventual, quando o acusado assume o risco de provocar a morte, e lesão corporal gravíssima. O Ministério Público pede uma pena superior a 20 anos de prisão. Já a defesa sustenta que o caso deve ser tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O empresário está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024. O julgamento conta com 14 testemunhas e deve definir a responsabilidade criminal de Sastre pela colisão.

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