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Caso Porsche: MP recorre pedindo aumento da pena de Fernando Sastre

Promotoria recorreu da condenação pelo acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em 2024

Motorista de Porsche confessa que bebeu antes de acidente que matou motorista de aplicativo em SP
Motorista de Porsche confessa que bebeu antes de acidente que matou motorista de aplicativo em SP. | Reprodução/Secretaria da Administração Penitenciária

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu o aumento da pena de Fernando Sastre de Andrade Filho, condenado pelo acidente com um Porsche que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, em março de 2024. Em recurso apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Promotoria pede que a pena seja elevada para um período entre 24 anos e 27 anos e 10 meses de reclusão.

As razões de apelação foram apresentadas na segunda-feira (2). O Ministério Público questiona a dosimetria da sentença, ou seja, os critérios utilizados pela Justiça para calcular a pena, mas não contesta a decisão dos jurados que condenou Sastre pelos crimes de homicídio qualificado e lesão corporal gravíssima, ambos com dolo eventual.

O recurso sustenta que a pena estabelecida em primeira instância não foi proporcional à gravidade dos fatos. Para o Ministério Público, a juíza deixou de considerar circunstâncias que deveriam aumentar a punição, como a culpabilidade do empresário, as circunstâncias e os motivos dos crimes.

A Promotoria também argumenta que Sastre voltou a dirigir menos de um mês depois de cumprir uma suspensão da carteira de habilitação, aplicada por participação em disputa de corrida em via pública. Outro ponto levantado é a velocidade do Porsche no momento da colisão. Segundo os dados técnicos citados no documento, o veículo estava a 136 km/h em uma avenida com limite de 50 km/h.

Como o Ministério Público quer aumentar a pena?

A Promotoria pede que a pena-base pelo homicídio seja estabelecida entre 21 e 24 anos de prisão. Já para o crime de lesão corporal gravíssima contra Marcus Vinicius Machado Rocha, passageiro do Porsche, a solicitação é de uma pena entre quatro e cinco anos.

O recurso também questiona a redução concedida a Sastre pela confissão parcial. O Ministério Público quer reduzir esse benefício sob o argumento de que o empresário admitiu apenas parte dos fatos e mudou sua versão durante o julgamento.

Além disso, a Promotoria pede o reconhecimento do chamado concurso formal impróprio, que prevê a soma das penas quando há desígnios autônomos na prática de mais de um crime. Na avaliação do órgão, Sastre assumiu separadamente o risco de provocar resultados contra as duas vítimas.

Com a soma das penas recalculadas, o Ministério Público solicita uma condenação entre 24 anos e 27 anos e 10 meses de reclusão. Como pedido alternativo, caso seja mantido o entendimento de concurso formal próprio, a Promotoria solicita um aumento maior na fração aplicada à pena.

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Relembre a condenação

Fernando Sastre foi condenado pelo Tribunal do Júri da capital paulista após julgamento realizado entre 28 e 30 de outubro de 2026. A pena foi fixada em 17 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, inicialmente em regime fechado. A Justiça também determinou a perda do direito de dirigir.

O acidente aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. O Porsche conduzido pelo empresário atingiu a traseira do Renault Sandero dirigido por Ornaldo, que morreu após ser levado ao hospital.

O passageiro do Porsche amigo de Sastre, Marcus Vinicius Machado Rocha, também ficou gravemente ferido. Ele sofreu, entre outras lesões, a ruptura do baço, que precisou ser retirado cirurgicamente.

O Ministério Público pediu que o recurso seja encaminhado ao Tribunal de Justiça após a manifestação da defesa e dos assistentes de acusação. Até a análise da apelação, permanece a execução provisória da pena em regime inicial fechado, conforme determinado na sentença.

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