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Indústria de calçados enfrenta férias coletivas devido ao aumento das tarifas

Setor calçadista brasileiro enfrenta crise com possível sobretaxa de 50% nos EUA, ameaçando milhares de empregos e produção.

Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados (Foto: Divulgação)
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  • O setor calçadista brasileiro enfrenta uma crise devido à possível implementação de uma sobretaxa de 50% nas exportações para os Estados Unidos.
  • Importadores americanos suspenderam compras programadas para agosto, o que pode ameaçar 12 mil empregos diretos e indiretos.
  • Exportadores interromperam a compra de insumos essenciais, levando muitas indústrias a paralisar atividades e conceder férias coletivas.
  • A nova tarifa inviabiliza a exportação de calçados brasileiros, especialmente os produtos private label, que representam 60% das exportações.
  • O setor aguarda negociações com a União Europeia que possam influenciar uma nova alíquota e evitar o cancelamento de contratos.

O setor calçadista brasileiro enfrenta uma crise iminente com a possível implementação de uma sobretaxa de 50% sobre as exportações para os Estados Unidos. Importadores americanos já suspenderam as compras programadas para agosto, o que pode ameaçar 12 mil empregos diretos e indiretos, segundo Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Os exportadores, sem perspectivas de produção, interromperam a compra de insumos essenciais, como solas e saltos, levando muitas indústrias a paralisar suas atividades e conceder férias coletivas. O mercado americano, que representa o maior destino das exportações brasileiras, viu um crescimento nas vendas de calçados, com 5,8 milhões de pares enviados entre janeiro e junho de 2024, totalizando US$ 111,8 milhões.

Impactos da Sobretaxa

A nova tarifa inviabiliza a exportação de calçados brasileiros, especialmente porque 60% das exportações são de produtos private label, que não podem ser vendidos no mercado interno. Ferreira destaca que o mercado norte-americano demanda calçados de couro e com maior valor agregado, fabricados principalmente no Rio Grande do Sul e em São Paulo, que serão os mais afetados.

Além disso, não há previsão de penalidades para empresas americanas que decidam cancelar encomendas, uma vez que os contratos não costumam incluir multas para essas situações. Ferreira expressa preocupação com a falta de garantias e a necessidade de uma prorrogação da implementação da sobretaxa, já que não há sinais de uma solução até a data limite.

Perspectivas Futuras

A situação é crítica, e o setor aguarda uma possível negociação com a União Europeia que possa influenciar uma nova alíquota para o Brasil. A expectativa é que uma postergação da sobretaxa possa evitar o cancelamento de contratos e mitigar os impactos negativos sobre a indústria calçadista.

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