- Amanda Barry encontrou o baú do pai, George, na casa da mãe; ele foi líder da base de Port Lockroy, na Antártica, em 1948, e morreu de ataque cardíaco quando ela tinha nove anos.
- Ela decidiu seguir o sonho dele e, após se aproximar do arquivo da British Antarctic Survey, aceitou uma oportunidade com a UK Antarctic Heritage Trust para trabalhar em Port Lockroy.
- Barry, que cresceu em Essex e estudou depois, formou-se em ciências ambientais pela Open University e passou a atuar em turismo educativo e museus.
- Em novembro passado ela viajou para Ushuaia, partiu em cruzeiro para a Antártida e ficou duas semanas em Port Lockroy, morando na Bransfield House, onde viu o retrato do pai.
- A experiência lhe deu mais confiança e a sensação de conexão com o pai, ainda que não substitua a ausência, segundo ela.
Amanda Barry encontrou uma pista do pai ao vasculhar o sótão da mãe. Entre fotografias, cartas e diários, ela seguiu os passos dele até a Antártida, onde o sonho dele de retornar ganhou vida.
George, pai de Barry, morreu de ataque cardíaco quando ela tinha nove anos. A família manteve vivo o vínculo com ele: objetos na casa, como cachimbos e cigarros, permaneciam em uma gaveta. Barry herdou uma foto dele em Port Lockroy, onde foi líder da base em 1948.
Ela cresceu em Essex, trabalhou com relações públicas em tecnologia e ambientalismo, e só aos 50 anos decidiu retornar aos estudos. Em primeiro lugar, escreveu um livro e, depois, voltou a se aproximar da Antártida, buscando o arquivo da British Antarctic Survey.
Port Lockroy e o caminho até a ilha
Barry pediu para visitar o arquivo da agência e revelou o desejo de ir a Port Lockroy. Foi informado de que, para trabalhar na Survey, era necessário ter diploma científico, o que a levou a estudar ambiental. Conservou o sonho de reencontrar o lugar do pai.
Na década seguinte, ela se inscreveu no Open University, obteve o diploma em ciência ambiental e passou a atuar como voluntária em Ullapool, na Escócia, para fortalecer a chance de atuar na Antártida. Também treinou como coach, apoiando mulheres em transições de vida.
A viagem e o reencontro
O Port Lockroy é hoje administrado pela UK Antarctic Heritage Trust. Barry ingressou como gestora de museu em Port Lockroy por dois meses, após uma seleção que não exige diploma científico. Em novembro, partiu de Ushuaia, na Patagônia, e chegou à ilha de Goudier em uma embarcação translado até a base.
Ao chegar, ocupou o quarto em Bransfield House e visitou a antiga casa onde o pai morou. Em uma foto antiga, viu-se na mesma paisagem onde ele esteve, o que a emocionou. A experiência permitiu que ela se reconectasse com a figura paterna em um local histórico.
Desfecho e impacto pessoal
Barry retornou à Escócia em janeiro e afirma ter ganhado mais autoconfiança e resiliência. Em condições de moradia reduzemdo espaço, sem água corrente e com banheiro compartilhado, morar na base foi desafiador. A experiência, segundo ela, foi menos sobre conforto e mais sobre ligação emocional.
Ela declarou sentir a presença do pai durante a estadia. Para Barry, a viagem representa uma busca contínua por uma conexão perdida na infância, sendo a experiência mais próxima que já teve dessa relação.
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