- A Organização das Nações Unidas designou oficialmente Jacarta como a maior cidade do mundo, com cerca de 42 milhões de habitantes, explorando um dia na vida da megacidade.
- Às quatro da manhã, motoristas de ojek acordam para trabalhar em uma cidade famosa pelo trânsito, usando conhecimento da cidade para chegar aos destinos com rapidez; um deles ganha entre Rp 400 mil e Rp 500 mil por dia.
- Às dez da manhã, Dhewa Radya, de 22 anos, atua na área de tecnologia e busca evitar os maiores congestionamentos, morando em West Jacarta e pagando aluguel de Rp 1,6 milhão por mês.
- Às 13 horas, Neneng Muslimah, de 45 anos, gerencia uma warteg (refeitoria popular) às margens de um rio, atendendo cerca de 100 porções ao meio-dia, com refeições a partir de Rp 10 mil.
- Às seis da noite, Faqih Ibnu Ali, de 28 anos, trabalha como um dos “homens de prata” de Jacarta, pintando o corpo e atuando entre tráfego intenso para sustentar a família.
Jakarta foi reconhecida pela ONU como a maior cidade do mundo, com cerca de 42 milhões de habitantes. O Portal Tela traz um retrato de um dia na vida da capital, entre deslocamentos, trabalho e desafios urbanos.
A cidade acorda cedo e vive 24 horas de movimento intenso. O motorista de ojek Dicky Rio Suprapto, 48 anos, sai às 4h para trabalhar após levar os filhos à escola. Ele percorre as vias usando conhecimento acumulado das ruas para driblar o congestionamento e entregar pessoas, cargas e comida.
Suprapto, que era engenheiro, atua como motorista de aplicativo desde a pandemia. Ao fim do dia, ele encerra a jornada ao pôr do sol, recebendo entre Rp 400 mil e Rp 500 mil. O funcionamento depende do ritmo da cidade e da necessidade de um ganha-pão estável.
Às 10h, a cidade revela outra face: Dhewa Radya, 22, jovem profissional da área de inteligência artificial. Ele mora em West Jakarta, usa trilhas a pé para evitar engarrafamentos e mora em um kost por cerca de Rp 1,6 milhão ao mês. O pulmão exposto é um desafio para quem trabalha com tecnologia na capital.
Radya veio de Central Java em busca de oportunidades. Ele cita a taxa de desemprego entre jovens, ao redor de 17%, como parte do cenário. Embora veja potencial econômico, ele aponta desigualdade crescente e planeja estudar fora antes de retornar ao Brasil, um objetivo que envolve melhor qualidade de vida e empregos.
Ao meio dia, Neneng Muslimah, 45, administra uma warteg ribeirinha no distrito de Kuningan. A casa funciona com um sistema de polia para entregar pratos através da água. O cardápio tradicional inclui frango frito com sambal, arroz e legumes, a partir de Rp 10 mil.
As entregas chegam por WhatsApp e são pagas com leitores de código no bolso. Riyos de alegria aparecem quando o pedido se confunde, mas a clientela segue fiel mesmo com custos de vida em alta e risco de alagamentos. Muslimah destaca a beleza única da cidade e a cordialidade de seus moradores.
Ao cair da tarde, a cidade volta a respirar trânsito intenso. Perto do Monas, o artista de rua Faqih Ibnu Ali, 28, pinta-se de prata para atuar como um dos chamados “silvermen”. Ele administra a renda diária entre Rp 200 mil e Rp 300 mil, com atuação que se estende pela tarde até a meia-noite.
A história de Ibnu revela vulnerabilidade: ele vive sob uma ponte com a esposa e os filhos, após perder o barco de pesca e um filho em acidente de trânsito. O relato expõe uma camada de desigualdade que persiste na maior cidade do mundo, onde automóveis com ar-condicionado e motocicletas convivem com trabalhadores que enfrentam discriminação diária.
Esses relatos surgem de um dia comum em Jacarta, onde a vida acontece entre a busca por oportunidade, a pressão do trânsito e a presença constante de trabalhadores informais. A diversidade de trajetórias expõe a complexidade de uma metrópole que cede espaço a quem chega para obter renda, educação e futuro.
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