- O geógrafo Kauê Lopes dos Santos lança o livro Parcelado: Dinâmicas de Consumo na Periferia, que ouve endividados da periferia de São Paulo para entender o crédito e o consumo de bens duráveis.
- O crédito parcelado facilita acesso a eletrodomésticos e instrumentos de trabalho, como geladeira, fogão ou computador, permitindo empreendedorismo e estudo para filhos.
- Ao mesmo tempo, ele evidencia endividamento crônico e risco financeiro quando há queda de renda, com juros altos e parcelas que pesam no orçamento.
- Um exemplo narrado é o de dona Elenice, que comprou um computador em 24 prestações após orientação de vendedor, justificando a escolha pela necessidade dos filhos.
- O autor critica mecanismos de mercado — publicidade, crédito e obsolescência programada —, argumentando que a vida parcelada pode ampliar desigualdades em vez de protegê-las.
Os leitores ganham uma visão direta sobre o impacto do crédito no dia a dia das periferias. O livro Parcelado: Dinâmicas de Consumo na Periferia, de Kauê Lopes dos Santos, chega às livrarias num momento em que o endividamento cresce no Brasil.
O geógrafo utiliza uma abordagem etnográfica, ouvindo endividados da periferia de São Paulo. O foco são hábitos de compra a prazo de bens duráveis, como eletrodomésticos e equipamentos de tecnologia, comuns desde as últimas décadas.
A pesquisa mostra como o crédito facilita a entrada em atividades produtivas, como confeitaria ou atividades de entrega por app, ao permitir aquisições imediatas. Contudo, também evidencia a dependência de financiamentos com juros elevados.
O livro descreve, por exemplo, a decisão de uma dona de casa na Brasilândia que escolhe um computador para os filhos. A compra é viabilizada por 24 parcelas, dentro do orçamento, mesmo diante de dúvidas.
Essa cena, narrada com clareza, ressalta a influência de vendedores e a pressão por escolhas rápidas. A obra não busca alarmismo, mas expõe a tensão entre necessidade e custo financeiro a longo prazo.
Além de casos individuais, o autor analisa como publicidade, crédito e obsolescência programada aceleram o consumo. O resultado é um retrato de ambivalência: crédito amplia acesso, mas pode aprofundar desigualdades.
Questionado sobre questões governamentais, o autor admite que prefere deixar debates macroeconômicos para especialistas, mantendo o foco nas experiências pessoais de consumo. O livro é uma leitura analítica sobre o assunto.
Parcelado: Dinâmicas de Consumo na Periferia traz ainda dados sobre o crescimento do endividamento no país, após a inflação controlada e a redução da pobreza nas últimas décadas. O lançamento envolve a Editora Fósforo.
Título, preço e publicação aparecem no final do texto, sem interferir na linha principal da reportagem. A obra convida a refletir sobre o custo real da vida parcelada para quem vive em áreas com renda instável.
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