- Thiago Fonsesca, 44 anos, trocou o ônibus pelo carro para passar mais tempo com a família; o deslocamento diário caiu de três horas para duas horas.
- Mesmo com custo anual maior em cerca de R$ 9 mil, ele avalia ter tomado a melhor decisão.
- O especialista Bruno Aversente afirma que o custo total da mobilidade costuma ser maior do que parece: ônibus sai em média por R$ 223 por mês, apps chegam a R$ 1.890, e o carro fica em torno de R$ 989 por mês.
- Recomenda-se colocar tudo em uma planilha: combustível, estacionamento, IPVA, seguro, financiamento e manutenção para decidir com precisão.
- Mora perto do trabalho pode reduzir custos, mas é preciso considerar o custo de vida da região; também é válido avaliar tempo ganho, saúde e convivência familiar, além de manter hábitos financeiros estáveis.
A mobilidade pode impactar de forma relevante o orçamento familiar. Um caso em estudo mostra a diferença entre usar ônibus, aplicativos de transporte e carro para o deslocamento diário ao trabalho. A análise aponta que o custo mensal pode variar drasticamente entre as opções.
Thiago Fonsesca, 44, trocou o ônibus pelo carro para ficar mais perto da família e reduzir o tempo no trânsito. O trajeto era de três horas diárias entre o Ipiranga, em São Paulo, e a Faria Lima. Hoje, o tempo chega a duas horas, com menor variação, mas o custo anual em dinheiro aumenta.
Mesmo com aumento anual de cerca de R$ 9 mil, o ex-usuário de transporte coletivo avalia que ganhou em qualidade de vida. Ele ressalta a dificuldade de encontrar opções como metrô próximo e fretado para substituir o veículo atual.
Para Bruno Aversente, especialista em educação financeira e diretor da Veloe, o tempo é o recurso mais precioso. Faz-se necessário colocar na ponta do lápis todos os gastos da mobilidade para evitar surpresas no orçamento.
O principal desafio, segundo Aversente, é tornar os gastos visíveis. Muitas pessoas subestimam o custo total, considerando apenas combustível ou tarifa. Somados, os valores podem representar impacto relevante no orçamento.
Entre ônibus e apps, a diferença pode chegar a 749% no exemplo escolhido. O custo mensal com transporte público fica em torno de R$ 223, enquanto apps somam cerca de R$ 1.890 e o carro, R$ 989.
Para realizar o cálculo, o especialista recomenda registrar na planilha gastos com gasolina, estacionamento, IPVA e seguro. Custos adicionais como financiamento, manutenção e depreciação também devem entrar na conta.
Ter carro pode ser necessário em situações específicas, como emergências familiares, mas não deve depender apenas de status. O custo inicial também pesa e pode atrasar objetivos financeiros, como formação de reserva ou aquisição de imóvel.
Outra opção mencionada é morar mais perto do trabalho. Contudo, é preciso considerar o custo de vida na nova região, que pode elevar gastos com supermercado, padarias e serviços, compensando possíveis economias com deslocamento.
Recomendações na hora de escolher o transporte
- Olhar o custo total, não apenas o valor aparente. Considere aquisição, manutenção, combustível, seguro, estacionamento, impostos e custo do entorno.
- Valorizar o tempo de forma prática. Defina como as horas economizadas serão utilizadas no dia a dia.
- Evitar elevar o padrão de vida com aumentos de renda. Promoções devem ser usadas para construir patrimônio, não para ampliar despesas.
- Fugir da comparação social. Decisões motivadas por padrões alheios costumam gerar fragilidade financeira.
- Revisar a conta periodicamente. Mudanças na carreira, na renda e na família podem exigir novas estratégias.
- Testar antes de assumir compromissos longos. Experimente rotas, caronas ou aluguel temporário antes de comprar carro ou mudar de bairro.
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