- Técnica japonesa chamada hoshigaki desidrata o caqui lentamente, formando textura macia, sabor adocicado e uma camada esbranquiçada de cristalização dos açúcares.
- Surgiu no período Heian (entre 794 e 1185) para prolongar a vida útil da fruta e evitar desperdícios na safra.
- O processo envolve descascar preservando as hastes, pendurar as frutas para secar por semanas e massagear a polpa diversas vezes para ficar mais macia.
- Em Buenos Aires, o chef Julio Martin Báez usa caquis desidratados em pratos sazonais; em São Paulo, a padaria Mirá testou a técnica para panetones artesanais.
- No Brasil, a produção comercial é rara, com o Sítio Pedra Alta, em Piracaia, entre os exemplos; a prática também tem valor identitário, como na artista Kaori Nagata, que produz e já mostrou caquis desidratados em exposição.
O hoshigaki é uma técnica japonesa de conservação que transforma o caqui em uma iguaria de textura macia e sabor doce, com uma camada esbranquiçada natural. Surgiu no período Heian (794-1185) para prolongar a vida útil da fruta durante a safra curta.
O processo envolve descascar os caquis preservando as hastes, pendurá-los em varais e secá-los lentamente por semanas. Durante o tempo de secagem, as frutas são massageadas para deixar a polpa mais macia e uniforme.
O método conquistou chefs e produtores em diferentes partes do mundo, incluindo Buenos Aires, onde o chef Julio Martin Báez usa caquis desidratados em pratos sazonais do restaurante Julia, e São Paulo, onde a padaria Mirá testou a técnica em panetones artesanais.
Cenário no Brasil
No Brasil, a produção comercial de hoshigaki é rara. Um exemplo conhecido fica no Sítio Pedra Alta, em Piracaia, interior de São Paulo, que buscou a técnica após adquirir uma propriedade que já cultivava caquis e produzia a iguaria.
A produção local envolveu estudo, apoio de antigos funcionários e viagens ao Japão para aprofundar o cultivo e a secagem da fruta, conforme relatos de proprietários. O esforço visa ampliar o conhecimento técnico no país.
Identidade e memória
Para a artista Kaori Nagata, brasileira, o hoshigaki vai além da gastronomia: é uma forma de preservar memórias da avó materna. Ela produz caquis desidratados como modo de manter vivas tradições familiares.
Nagata já levou o trabalho a uma exposição na Casa Osten, onde a secagem dos caquis integrou uma instalação que permitia ao público acompanhar a transformação da fruta ao longo dos dias.
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