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Mulheres negras enfrentam desafios diversos fora da curva

Mulheres negras fora da curva resistem ao epistemicídio e à violência, constroem memória e reivindicam espaço político, com duas grandes marchas nacionais

Antonieta de Barros foi a primeira deputada negra do estado de Santa Catarina e do Brasil - (crédito: Flávio Tin/ND)
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  • Mulheres negras fora da curva resistem às mortes física e intelectual e ajudam a construir o Brasil desde o século XVI.
  • Epistemicídio, genocídio e feminicídio são descrições usadas para falar do apagamento do conhecimento negro, conforme a filósofa Sueli Carneiro.
  • Em Santa Catarina, Antonieta de Barros foi a primeira deputada negra do estado e do Brasil (1934); a rodoviária de Florianópolis recebeu o nome de Rita Maria, mulher negra popular da região, cuja memória é citada no texto; o estado vetou programa de ações afirmativas em ensino superior.
  • Em âmbito nacional, Luiza Helena de Bairros foi secretária de promoção da igualdade racial e participou das leis que criaram ações afirmativas em instituições federais de ensino (Lei nº 12.711/2013) e de reserva de vagas em concursos públicos (Lei nº 12.990/2014).
  • As duas Marchas Potentes, em 2015 e 2025, reuniram dezenas de milhares de mulheres negras; uma exposição na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia reforça a memória dessas lideranças.

As mulheres negras fora da curva resistem às mortes física e intelectual e constroem o Brasil desde o século XVI, quando foram trazidas da África. A trajetória é lembrada em relatos que ligam passado e presente na luta por reconhecimento, educação e direitos.

Pesquisadores destacam o conceito de epistemicídio, que busca apagar o conhecimento de pessoas negras. A expressão é citada para explicar ataques à potência intelectual das mulheres negras e aos seus saberes.

A história regional é marcada por figuras como Antonieta de Barros, primeira deputada negra de Santa Catarina, eleita em 1934, e por Rita Maria, mulher negra popular de Florianópolis, reconhecida por acolher pessoas carentes.

Legado histórico

Antonieta foi servidora pública e defensora da educação inclusiva, tendo papel central na instituição do Dia do Professor em Santa Catarina. Em Florianópolis, a homenagem à figura de Rita Maria está ligada à história da cidade, ainda que o reconhecimento institucional nem sempre seja amplo.

No Rio Grande do Sul, Luiza Helena de Bairros destacou-se como intelectual e gestora pública, tendo participação decisiva na formulação de ações afirmativas para o acesso a universidades e concursos. Ela foi secretária de Promoção da Igualdade Racial e assinou leis nacionais relevantes.

Desdobramentos recentes

A Universidade Federal do Recôncavo Baiano promoveu a exposição Lentes e Voz — Memória Viva da Luta Feminista e Negra no Brasil, com curadoria da professora Martha Rosa Figueira Queiroz, registrando a trajetória de Luiza Helena de Bairros. A mostra reforça o papel de ativistas na memória pública.

Recentemente, as mulheres negras marcaram presença em duas Marchas Potentes, em 2015 e 2025, que reuniram milhares de pessoas em defesa de reparação, bem-viver e maior representatividade política. Em 2025, a mobilização envolveu cerca de 300 mil participantes.

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