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Aos amigos do livro e da edição: homenagem no setor editorial

Aposentadoria não encerra quarenta anos dedicados à USP e ao livro, com impacto na Edusp, na formação de leitores e na consolidação da editora universitária

Plinio Martins Filho – Foto: Cecília Bastos/Jornal da USP
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  • A aposentadoria compulsória encerra o vínculo formal, mas não o ciclo de mais de quarenta anos dedicados à USP e ao livro.
  • Iniciou no mundo editorial em 1971, na Editora Perspectiva, aprendendo com Jacó Guinsburg e com a revisora Geraldo Gerson de Souza.
  • Na Editora da Universidade de São Paulo, de 1989 a 2026, organizou processos, criou identidade editorial e participou de mais de 1.600 títulos, com quase cem Prêmios Jabuti.
  • Conduziu a Festa do Livro da USP e manteve parcerias com editoras universitárias, como as da Unicamp e da UFMG, defendendo qualidade e cooperação.
  • Hoje é Professor Sênior da USP e atua na Biblioteca Brasiliana Mindlin, mantendo o Laboratório de Edições BBM/ECA-USP para continuar ensinando e valorizando o livro.

A aposentadoria compulsória encerra o vínculo funcional, mas não o vínculo com a trajetória dedicada à USP e ao livro. Quarenta anos de carreira entram em uma nova fase, mantendo vivo o compromisso com a editoração e a leitura.

O relato de Plínio Martins Filho, ex-professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, traça o percurso desde a entrada humilde no universo editorial até o reconhecimento como editor, revisor e responsável por uma das editoras universitárias mais premiadas do país.

Filho de uma origem simples, ele descreve o aprendizado inicial na Editora Perspectiva, sob a orientação de Jacó Guinsburg e Geraldo Gerson de Souza. Ali começou a construir técnica e ética do trabalho com o livro.

Início no mundo editorial

Na Perspectiva, Martins Filho passou de colaborador a participante ativo de todas as etapas: revisão, produção, projeto gráfico e relacionamento com autores. O ofício ganhou identidade própria e passou a sustentar sua vida profissional.

O aprendizado com Guias da revisão ensinou que o texto é forma, ritmo e coerência. A responsabilidade do editor, afirmava, começa quando o autor acredita ter terminado.

Consolidação na USP e na Editora

A passagem pela Edusp (1989-2026) foi o eixo da trajetória. Chegou para ajudar a estruturar processos, construir catálogo e imprimir identidade à editora universitária, reconhecida por ampliar o alcance do pensamento acadêmico.

Mais de 1.600 títulos participaram de sua atuação, com quase cem Prêmios Jabuti ao longo dos anos. Mesmo com o sucesso, o trabalho valorizou o que acontece nos bastidores da edição.

Festa do Livro e cooperação institucional

A Festa do Livro da USP nasceu da convicção de aproximar leitores, editoras e universidade. O evento tornou-se referência nacional e fortaleceu o papel cultural das editoras universitárias, segundo Martins Filho.

Parcerias com editoras de outras universidades foram fundamentais. Contou com apoio de Paulo Franchetti (Unicamp) e Wander Melo Miranda (UFMG) para manter a atuação editorial com qualidade e cooperação.

Setor de Publicações e o legado permanente

Após deixar a presidência da Edusp, criou o Setor de Publicações da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Lá, o foco é preservação, estudo da materialidade e difusão do acervo, conectando edição, biblioteca e pesquisa.

Agora, como Professor Sênior da USP, ele segue na BBM para implementar o Laboratório de Edições BBM/ECA-USP, envolvendo alunos e pesquisadores em projetos de edição e difusão do livro.

Encerramento de ciclo e continuidade

Martins Filho reforça que o livro nasce de muitas mãos, não de uma só. A aposentadoria formal não encerra o compromisso com o livro, que continua a demandar cuidado, seleção e leitura atenta.

Em síntese, sua carreira aponta para uma edição universitária que dialoga com o leitor externo, preservando identidade institucional sem perder o viés cultural.

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