- Três jovens criaram o Virando Páginas, projeto no Rio de Janeiro para doar livros, já encontrando lares para 3,5 mil obras em presídios, instituições sociais e escolas públicas.
- Originalmente arrecadaram quase cinco mil livros com alunos e pais das escolas Americana e Britânica do Rio de Janeiro.
- O grupo percebeu limitações de doação por remição de pena em presídios e ampliou o alcance para incluir escolas, bibliotecas e outras instituições.
- A iniciativa já atuou junto à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) e à Oficina do Sucesso, na Rocinha, fortalecendo salas de leitura.
- Com presença no Instagram, o Virando Páginas busca voluntários para expandir a atuação a mais cidades, mantendo os custos para transformar arrecadação em doação.
No Virando Páginas, o porta-malas vai bem além de poeira: está cheio de livros. O projeto nasce no Rio de Janeiro com Felipe Alhante, Catarina Oakim e Eduardo Campos, todos adolescentes. A ideia partiu do pai de Felipe para encontrar novos lares às obras.
Em menos de um ano, a iniciativa já destinou 3,5 mil exemplares para presídios, escolas públicas e instituições sociais. Os jovens arrecadaram títulos com a ajuda de colegas de escola e da comunidade, usando caronas e carretos para distribuir as doações.
Felipe, 17, não era leitor, mas passou a gostar de não-ficção após acompanhar o pai. Catarina, também com 17, vem de uma família ligada à literatura e prefere títulos de terror hoje. Eduardo, 16, migrou de fantasia para obras sobre finanças recentemente.
Expansão e parcerias
O trio começou o projeto no ano passado e mobilizou estudantes de duas escolas particulares do Rio, chegando a quase 5 mil livros arrecadados. Mesmo com o desafio de o acervo não ser todo aproveitável, seguiram com ações em várias instituições.
A escolha por ampliar o alcance ocorreu diante de barreiras na remissão de pena para menores. Ainda assim, mantiveram o foco nos presídios e passaram a incluir escolas, bibliotecas e organizações sociais na lista de recebimento.
A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) do Rio Plata é uma das etapas que receberam doações, junto de projetos como a Oficina do Sucesso, na Rocinha. A parceria soma impactos educativos na comunidade local.
Hoje e futuro
A rotina exige agenda compartilhada, transporte e logística simples, com o foco em manter o fluxo de doações. Cecília Carvalho, criadora da Oficina, elogia a ajuda recebida e afirma que o espaço de leitura já ganhou nova sala com o apoio do Virando Páginas.
Agora, o projeto busca ampliar a atuação para além do Rio de Janeiro. O perfil nas redes já conecta voluntários e instituições em todo o Brasil, abrindo espaço para novas parcerias e cidades.
Um dos primeiros alvos fora do Rio é o projeto Unidos de Paraisópolis, em São Paulo. Os jovens desejam recrutar voluntários e estruturar a distribuição para mais municípios, mantendo a meta de transformar arrecadações em doações.
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