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Beleza do inútil: guardanapos ultrafinos viram tesouros de arte na Espanha

As servilletas de bares na Espanha viraram arte em miniatura que preserva identidades locais em meio à padronização, tornando-se memória física dos estabelecimentos

Wafer-thin … the all-important, yet highly ineffectual, servilletas.
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  • O livro Servilletas: Spanish Napkins, de Felipe Hernandez, reúne napkins espanholas personalizadas fotografadas desde 2014; foram compiladas mais de 1.000 peças, com 600 incluídas na publicação de 2017/2024, conforme o projeto apresentado pela revista.
  • As napkins são extremamente finas e, na prática, pouco úteis para limpar, mas funcionam como objetos de memória cultural dos bares e restaurantes da Espanha.
  • Algumas napkins trazem textos ou ilustrações que remetem à comida servida, às regiões e aos próprios estabelecimentos, funcionando como lembranças visuais.
  • O livro destaca exemplos de locais que mantêm a personalização das napkins, bem como outros que passaram a não ter mais esse recurso para reduzir custos.
  • O registro destaca a resistência de bares tradicionais frente à homogenização do setor de gastronomia e o valor cultural das napkins como parte da identidade de cidades espanholas.

O livro Servilletas: Spanish Napkins recorre bares e restaurantes da Espanha para mostrar as pequenas obras de arte descartáveis que acompanham as refeições. O projeto chega com fotos de napkins personalizadas, registradas pelo fotógrafo Felipe Hernandez. O lançamento ocorreu no mês passado.

As servilletas, extremamente finas, falham ao limpar líquidos e são mais propensas a deixar resíduos. Mesmo assim, elas permanecem parte da vida cotidiana dos bares, servindo de assinatura cultural, e não apenas de utensílio de mesa.

Desde 2014, Hernandez coleciona essas peças, reunindo mais de 1.000 itens. Em 2017, começou a fotografá-las no estúdio e divulgá-las no Instagram, onde ganhou seguidores. O livro atual reúne 600 imagens.

O livro e o autor

Algumas napkins exibem mensagens sobre a qualidade da comida, outras trazem ilustrações do estabelecimento. Em Madrid, Bar Alonso admite que as napkins são jogadas no chão, como parte de uma tradição local.

Outros exemplos destacam dações regionais, como a galeria de pintxos de Bilbao ou a cozinha de restaurantes bilígnicos. A obra celebra as diferenças culturais presentes nas peças, mesmo diante da crescente padronização gastronômica.

Contexto e impacto

Alguns estabelecimentos já deixaram de imprimir as próprias napkins para reduzir custos, enquanto outros resistem como traço de identidade. A obra enfatiza a ideia de que a beleza está no inútil, contra a pressa da modernização.

O projeto também acompanha o desafio de bares antigos diante da inflação e da gentrificação. A publicação serve como registro de uma prática que pode desaparecer, mas permanece como memória material da gastronomia local.

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