- A crise climática está atraindo investidores no Brasil, com foco em soluções de baixo carbono.
- Um mapeamento recente identificou 1.829 startups voltadas para impacto socioambiental.
- A MeteoIA desenvolveu um sistema nacional de previsão climática de longo prazo, visando reduzir custos e aumentar a precisão das análises.
- A Climate Angels, primeira rede de investidores-anjo do Brasil para startups climáticas, já realizou aportes e busca investir em 20 a 25 startups verdes.
- O fundo Biomas, da gestora Rise, está captando R$ 500 milhões para empresas com soluções climáticas.
A crise climática está atraindo cada vez mais a atenção de investidores no Brasil, que buscam soluções de baixo carbono. Recentemente, um mapeamento revelou 1.829 startups focadas em impacto socioambiental, com destaque para a MeteoIA e a Climate Angels, que pretendem mobilizar R$ 30 milhões até 2030 para inovações verdes.
A transição para uma economia sustentável deixou de ser uma preocupação exclusiva de governos, ganhando espaço no mercado de capitais. Investidores-anjo, gestoras e fundos de venture capital estão direcionando recursos para tecnologias que geram impacto positivo. Um estudo da Impacta Finanças Sustentáveis e KPTL, patrocinado pelo Fundo Vale, identificou 49 gestoras de venture capital e 1.466 startups focadas em floresta e clima.
Inovações em Previsão Climática
A startup MeteoIA se destacou ao desenvolver o primeiro sistema nacional de previsão climática de longo prazo, chamado MIA. Este modelo visa reduzir custos de acesso a informações climáticas e aumentar a precisão das análises. Segundo Farley Ramos, analista da Bossa Invest, a MeteoIA não apenas prevê eventos extremos, mas também mudanças na média climática anual, impactando diversos setores.
Fundada em 2018, a MeteoIA recebeu apoio da Fapesp e, a partir de 2022, expandiu suas aplicações para setores como seguros e agro. Com novos investimentos, a startup pretende acelerar a comercialização de sua plataforma, que fornece indicadores de risco climático.
Rede de Investidores e Oportunidades
A Climate Angels, primeira rede de investidores-anjo do Brasil voltada para startups climáticas, realizou seu primeiro aporte na Infinito Mare, que desenvolveu a solução Caravela para despoluição de corpos d’água. A tecnologia já está em operação em locais como a Baía de Guanabara e a Lagoa da Pampulha.
Criada em 2023, a Climate Angels já firmou cinco acordos para rodadas de capital e busca montar um portfólio de 20 a 25 startups verdes. Entre suas áreas de interesse estão agricultura sustentável e monitoramento de carbono. Michel Porcino, fundador da Climate Angels, destaca que o Brasil possui recursos naturais para escalar soluções inovadoras, mas é necessário destravar o capital necessário.
O fundo Biomas, da gestora Rise, também está em fase de captação, focando em empresas com soluções climáticas. O primeiro aporte foi na Solinftec, que utiliza robôs em lavouras. O fundo visa R$ 500 milhões em aportes, com tickets entre R$ 25 milhões e R$ 75 milhões.
O aumento do interesse por startups de soluções baseadas na natureza é evidente, mas ainda existem barreiras de capital. Daniel Contrucci, da Climate Ventures, aponta que os ciclos de retorno são longos e há incertezas ligadas a processos naturais. A necessidade de modelos de financiamento que combinem fontes filantrópicas e capital privado é crucial para destravar investimentos.
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