- Um estudo publicado na revista *Science* revela que a capacidade de reflorestamento é menor do que se acreditava.
- A pesquisa indica que apenas 39,9 bilhões de toneladas de carbono poderão ser capturadas até 2050, abaixo das 42 bilhões de toneladas emitidas em 2024.
- Os pesquisadores identificaram 389 milhões de hectares adequados para o plantio de novas árvores, mas apenas 120 milhões de hectares estão comprometidos com projetos de reflorestamento.
- O Brasil, Rússia e Estados Unidos concentram 36% das áreas disponíveis, sendo que o Brasil possui 20% das áreas para captura de carbono.
- Especialistas alertam que é essencial reduzir as principais fontes de emissões de gases de efeito estufa, pois o reflorestamento não é uma solução suficiente para mitigar as mudanças climáticas.
Um estudo recente publicado na revista *Science* revela que a capacidade de reflorestamento é significativamente menor do que se acreditava. A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional de 16 cientistas, aponta que apenas 39,9 bilhões de toneladas de carbono poderão ser capturadas até 2050, um número que fica aquém das 42 bilhões de toneladas emitidas em 2024.
Os pesquisadores analisaram a disponibilidade real de terras para o plantio de novas árvores, identificando 389 milhões de hectares adequados, uma área equivalente a dez Paraguais. Desses, apenas 120 milhões de hectares estão atualmente comprometidos com projetos de reflorestamento. A maior parte dessas áreas está localizada em países de média e baixa renda, com o Brasil, Rússia e Estados Unidos concentrando 36% do total.
Limitações do Reflorestamento
Os dados indicam que o Brasil, devido à Amazônia, possui 20% das áreas disponíveis para captura de carbono. Apesar disso, a Europa e a América do Sul têm planos para reflorestar apenas 12,8% e 16,1% das áreas com potencial, respectivamente, muito abaixo da média global de 59%. As expectativas otimistas sobre o reflorestamento não se concretizam devido à escassez de terras e às limitações naturais do sequestro de carbono pelas árvores.
Pesquisadores britânicos também destacam que, para compensar as emissões das 200 maiores empresas de petróleo e gás, seria necessário reflorestar toda a América do Norte e Central. Nina Friggens, da Universidade de Exeter, ressalta que a compensação por meio do reflorestamento não deve ser vista como uma solução mágica para o aquecimento global.
A Necessidade de Ações Imediatas
Embora o reflorestamento e a conservação ambiental sejam importantes, os especialistas alertam que é crucial reduzir as principais fontes de emissões de gases de efeito estufa. A pesquisa evidencia que, sem ações imediatas e eficazes, o potencial de captura de carbono por meio de florestas será insuficiente para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
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