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Queimadas podem provocar 1,4 milhão de mortes anuais até 2100, alerta estudo

Estudos projetam até 70 mil mortes anuais nos EUA e 1,4 milhão globalmente até 2100, com a África sendo a mais afetada pela fumaça dos incêndios.

Número de queimadas na Amazônia de janeiro a novembro é o maior em 17 anos (Foto: Reprodução)
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  • Estudos indicam que o aquecimento global aumenta a frequência e a intensidade dos incêndios florestais, impactando a saúde pública.
  • Pesquisas publicadas na revista “Nature” projetam cerca de 70 mil mortes anuais nos Estados Unidos até 2050, devido à fumaça dos incêndios.
  • Globalmente, o número de mortes pode chegar a 1,4 milhão até 2100, com a África sendo a região mais afetada.
  • A fumaça dos incêndios contém poluentes perigosos, como material particulado (PM2.5), que pode causar doenças cardiovasculares e respiratórias.
  • O custo econômico das mortes relacionadas à fumaça pode ultrapassar R$ 600 bilhões anuais em 2050.

Estudos recentes indicam que o aquecimento global está diretamente ligado ao aumento da frequência e intensidade dos incêndios florestais, o que pode ter sérias consequências para a saúde pública. Pesquisas publicadas na revista “Nature” revelam que, até 2050, os Estados Unidos podem registrar cerca de 70 mil mortes anuais devido à inalação da fumaça proveniente desses incêndios. Globalmente, o número pode atingir 1,4 milhão de mortes até o final do século, com a África sendo a região mais afetada.

Os pesquisadores utilizaram modelos estatísticos e de aprendizado de máquina para analisar dados de emissões de incêndios entre 2001 e 2021, cruzando essas informações com registros de mortes nos EUA entre 2006 e 2019. Os resultados indicam que, em um cenário de aquecimento elevado, a fumaça dos incêndios poderá causar 71 mil mortes adicionais por ano nos EUA, com a Califórnia liderando o aumento de vítimas. Outros estados como Nova York, Washington, Texas e Pensilvânia também devem enfrentar um aumento significativo.

Impactos Econômicos e Saúde Pública

Além das mortes, o custo econômico dessas fatalidades pode ultrapassar 600 bilhões de dólares anuais em 2050. Os autores do estudo, Minghao Qiu e Marshall Burke, da Universidade de Stanford, afirmam que os impactos da fumaça das queimadas podem ser algumas das consequências mais custosas do aquecimento global no país.

Outro estudo, coordenado por Bo Zheng e Qiang Zhang, da Universidade Tsinghua, projetou que as mortes prematuras ligadas à poluição da fumaça podem crescer seis vezes até 2100, com a África apresentando um aumento de até 11 vezes nas fatalidades relacionadas ao fogo. Nos EUA e na Europa, o aumento esperado é de uma a duas vezes, mas ainda assim em níveis alarmantes.

Composição da Fumaça e Riscos à Saúde

A fumaça dos incêndios contém uma mistura de poluentes, incluindo material particulado (PM2.5), monóxido de carbono (CO), compostos orgânicos voláteis (COVs) e óxidos de nitrogênio (NOx). O PM2.5, em particular, é extremamente perigoso, pois pode penetrar profundamente nos pulmões e causar inflamações que levam a doenças cardiovasculares e respiratórias. A exposição prolongada a esses poluentes está associada a um aumento do risco de câncer e outras condições crônicas.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que a concentração anual média de PM2.5 não ultrapasse 5 microgramas por metro cúbico. No entanto, durante episódios de fumaça intensa, esse limite é frequentemente superado, especialmente em regiões afetadas por queimadas. A crescente gravidade dos incêndios florestais, impulsionada pelo aquecimento global, representa um desafio significativo para a saúde pública e a economia global.

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